10 Dez 2021, 13:00 A viagem pelo interior, prioritária para mim, é dar voz a todos aqueles que lá residem, trabalham e criam riqueza. É sentir, verdadeiramente, que todos fazemos parte de uma Europa que se quer dinâmica, inclusiva, criativa e global e que todos devemos ser capazes de contribuir para esses fatores de desenvolvimento.
Acreditar, pois, como o Gilberto Pintado acreditou e acredita num interior onde há muito por fazer e tudo por inovar. Gilberto é o reflexo disso mesmo.
Desde muito cedo que se preocupa com as questões do Ambiente e essa preocupação não ficou apenas reservada a meros pensamentos e atos individuais. Arregaçou as mangas e fundou a Associação Douro Internacional (ADI), uma associação que tem como principais objetivos as questões ligadas à preservação do ambiente e dos recursos naturais.
Todos fazemos parte de uma Europa que se quer dinâmica, inclusiva, criativa e global e que todos devemos ser capazes de contribuir para esses fatores de desenvolvimento
O contacto com várias cooperativas de vinhos e a preocupação com o Ambiente torna-se, então, no estímulo necessário para criar e despontar em Gilberto a faceta mais exacerbada nele, o empreendedorismo. E com isso, cria produtos inovadores em três áreas de atividade: a vitivinicultura, a olivicultura e uma cervejaria artesanal ecológica. Através da marca Bio Freixo, Gilberto lança-se no mercado dos produtos biológicos.
Hoje, a Bio Freixo prima pela qualidade e diversidade dos seus produtos biológicos. Desde 2000 que a empresa surpreende os freixenistas, não acontecendo por acaso, com a conquista regular de prémios nacionais e internacionais. Tornando-se, também, numa empresa próspera e consistente.
Em 2014, o empresário recebe a primeira medalha de ouro com o vinagre rosé biológico, volta a repetir a proeza no ano seguinte (2015) com o prémio “o melhor dos melhores vinagres portugueses” e como não há duas sem três, volta a receber o galardão em 2019.
Os prémios não ficam por aqui. Em 2012, Gilberto Pintado entra em mais uma aventura e começa a plantar lúpulo e a cultivar cevada, criando assim a Cerveja Artesanal Freixo Beer Bio, através de uma maltagem exclusivamente biológica. Com este produto recebe, em 2016, a Medalha de Ouro das Cervejas Artesanais Portuguesas, volta a receber o ouro, três anos mais tarde.
Investigar e investir no passado tem sido uma das principais razões do sucesso deste nosso conterrâneo. A aquisição de propriedades agrícolas, de vinhas perdidas no tempo com castas antigas, como malvasia rosa, malvasia branca, rabigato, códiga do larinho, tinta monteira, entre outras, são o fator principal de todo o seu êxito.
Investigar e investir no passado tem sido uma das principais razões do sucesso deste nosso conterrâneo
O sucesso continua com a criação de novos produtos biológicos e gera, simultaneamente, um fluxo de novidades e mudanças dentro no que se refere ao consumo de alimentos mais saudáveis a par da preservação do ambiente. A título de exemplo, está o seu vinho-gelado biológico, o primeiro “Ice Wine” Biológico do Mundo produzido com castas autóctones do Douro. A proeza valeu-lhe outro prémio, o Silk Wine Silver, em 2019. O aroma deste néctar é conseguido através de um processo totalmente natural sem aditivos, mas os “ingredientes” principais são a dedicação, paixão e a resiliência.
Além do “Ice Wine”, a empresa está a desenvolver o primeiro Vinho 100% Natural, Biológico e Vegan. Mais um produto inovador, neste segmento, que está em fase final de certificação.
Inovar é experimentar e explorar novas ideias, e aqui, Gilberto Pintado, foi extremamente hábil. Pegou na azeitona, “Negrinha de Freixo”, um dos produtos de excelência do concelho de Freixo de Espada à Cinta que, a par do seu azeite, é uma das maiores riquezas da terra, e apostou na construção de um lagar de azeite ecológico e de extração a frio, originando 3 tipos de azeite que, uma vez mais, o leva a ganhar o Prémio Nacional de Agricultura, em 2020.
Este ano, a Bio Freixo está com outro projeto, que envolve a criação do primeiro “Centro de Interpretação de Enologia Biológica e Biodinâmica”. Em 2022, a empresa quer finalizar a produção e certificação daquele que será o primeiro Whisky Biológico.
Gilberto Pintado confessa que “vai ter de deixar de participar em alguns eventos para dar oportunidade a outros. O reconhecimento é o mais doce néctar para acreditarmos e continuarmos a desenvolver os nossos projetos”, disse-me.
O desenvolvimento do interior é extremamente necessário para o desenvolvimento económico e social, não podemos esquecer este desafio.

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