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Deputada na Assembleia Municipal de Freixo de Espada à Cinta
30 dias “dentro” de um tabuleiro de xadrez
"A campanha eleitoral foi das experiências mais intensas e mais controversas que vivi. O desafio de apelar por novos horizontes para Portugal era incremento essencial da minha motivação".
28 Fev 2022, 17:30

Hoje, após alguns dias de reflexão sobre a minha participação direta nas últimas eleições, comparo-me a um dos oitos peões de um jogo de xadrez que não conseguiu “salvar o Rei”.

Nesta minha experiência, constatei “jogadas” hilariantes: Os bispos são peças que se movem apenas na diagonal e de longo alcance que podem ser muito perigosas para o adversário. Quando os bispos, apoiados pelas torres, passam a ter como mira principal enfraquecer os seus peões fica tudo muito mais difícil.

A campanha eleitoral, onde me entreguei de alma e coração, foi das experiências mais intensas e mais controversas que vivi. O desafio de apelar por novos horizontes para Portugal era incremento essencial da minha motivação

Todos os dias os peões avançavam no “tabuleiro”. As batalhas eram vencidas pela positiva, transmitindo e defendendo o programa eleitoral, tínhamos objetivos concretos: um futuro melhor para os portugueses, um programa elaborado com seriedade, rigor e credibilidade, ou seja, concretizável. O populismo, a demagogia, a mentira e o bota-abaixo nunca foram as nossas armas. Os Portugueses mereciam a verdade.

A principal função do bispo num jogo de xadrez é defender os seus peões. No tabuleiro onde entrei, as regras baseavam-se num fingimento atroz: proclamavam o “Rei” para não serem apontados como desertores e abatiam os seus “peões” através de um marasmo ruidoso. A sabotagem era o seu objetivo primordial.

A minha primeira entrevista realizada num jornal local, que tentaram sabotar, foi sem dúvida a experiência mais impactante. Conhecia cada parágrafo do programa eleitoral, nunca antes o tinha feito, não queria dececionar e nem colocar em causa a confiança do meu lugar no “tabuleiro de xadrez”, pois os peões eram alvos a abater pelas diferentes peças do “tabuleiro” da mesma cor. O medo de uma palavra mal interpretada, de um gesto menos apropriado seria motivo mais que suficiente para ser “abatida em plena batalha”. Confesso que terminei a entrevista com a perceção que poderia ter estado melhor, que fugi com alguma destreza a perguntas que a ansiedade fazia questão em fintar-me.

Enquanto a entrevista não saía para o exterior, vivi momentos de grande insegurança, queria ouvir-me, fazer a minha análise, precisava dessa autoavaliação para me manter dentro da “jogada” com a mesma motivação, pois sabia que a pior crítica vinha dos que se proclamavam do mesmo lado da batalha. Fica apenas uma satisfação, em relação aos verdadeiros adversários. A minha entrevista foi a mais vista e a mais partilhada.

A imagem, como diz o ditado popular, “vale mais que mil palavras” e, por isso, não deixei, obviamente, de ficar indiferente a este facto. Passava a pente fino todas as imagens onde aparecia, as minhas expressões faciais e posturas eram uma das minhas preocupações, infelizmente a campanha eleitoral passa muito pela mediocridade desta exposição.

Hoje, defino a imagem como o coração da fragilidade da mensagem política, as ideias, as preocupações e as nossas convicções ficam apenas espelhadas à mercê de perfis falsos que as disseminam num abrir e fechar de olhos em fakenews.

A estratégia não passa pelas redes sociais, nem pela comunicação social, mas pela ocupação de lugares dentro das diversas instituições, coisa que o partido socialista soube fazer muito bem

Num certo dia, achei que havia a necessidade de regressar aos famosos anos setenta e oitenta, quando os militantes eram verdadeiros guardiões de cartazes. Deparei com o desaparecimento de uma quantidade avultada de flyers, quem o fez tinha apenas uma única intensão: boicotar a visibilidade e a mensagem dos “peões”, mas felizmente estamos numa era que tudo se revolve com mais investimento e sem consequências.

Visitei várias empresas, escolas e hospitais, ouvi atentamente todos, a responsabilidade e a vontade de mudar o rumo de Portugal converteram-me numa aluna atenta e numa juíza de um país à deriva. Fui recebida e tratada como uma verdadeira dama em todos os atos de campanha, graças ao envolvimento de duas pessoas que me acompanharam e protegeram durante esta caminhada, Firmino Pereira, próximo deputado da Assembleia da República e o diretor de campanha, Ricardo Bessa.

Regressando ao tabuleiro de xadrez, na última jogada, todos vieram à rua para saudar o “Rei” – “cheirava a vitoria”-, até os “cavalos” apareceram, saltavam sobre todas as peças do tabuleiro, não para salvar o “Rei”, mas para se mostrarem

Regressando ao tabuleiro de xadrez, na última jogada, todos vieram à rua para saudar o “Rei” – “cheirava a vitoria”-, até os “cavalos” apareceram, saltavam sobre todas as peças do tabuleiro, não para salvar o “Rei”, mas para se mostrarem. Perdemos esta guerra, com um “xeque-mate” doloroso, haverá muitas mais pela frente. Por mais fácil que seja vencer uma guerra, ela será sempre perdida, pela falta de um exército coeso e bem posicionado.

A estratégia não passa pelas redes sociais, nem pela comunicação social, mas pela ocupação de lugares dentro das diversas instituições, coisa que o partido socialista soube fazer muito bem.

Não consegui “salvar o Rei”, mas aprendi que na política a missão “servir” é, infelizmente, pura demagogia…

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