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Deputada na Assembleia Municipal de Freixo de Espada à Cinta
19º lugar: Será um bom presságio?
“Hoje, sei que a janela do meu quarto, no Colégio de S. Gonçalo, é responsável pelas minhas andanças na política e da vontade de participar na construção de um país melhor. "
14 Jan 2022, 14:00

Hoje, sei que a janela do meu quarto, no Colégio de S. Gonçalo, é responsável pelas minhas andanças na política e da vontade de participar na construção de um país melhor. Só não sei, se estava escrito nas estrelas que o 19º lugar é a janela que concretiza esses desejos.

Em 1974, devido à guerra de ultramar, fui obrigada a regressar à terra natal do meu pai, Freixo de Espada à Cinta, uma pequena vila trasmontana plantada à beira do rio Douro.

Os Verões quentes, os bailaricos de verão, os banhos no rio Douro, o convívio das noites quentes, as caminhadas pelos campos, as vindimas, o cheiro das lareiras acesas nos invernos eram o meu carinhoso lar.

Em 1984, com apenas 14 anos, saí deste meu carinhoso lar, para dar continuidade aos estudos. À partida, a experiência era sinónimo de aventura, de futuro e saudade. A saudade rapidamente se instalou! As visitas só eram possíveis, com o início das férias escolares, devido às más acessibilidades, quase inexistentes, para quem residia, para além do Marão.

Fixei-me na cidade de Amarante, para fazer o secundário, no Colégio de S. Gonçalo. Recordo que da janela do meu quarto, via Portugal a crescer:

– O desmatamento, as fundações das estruturas, o estaqueamento, a terraplanagem, o corte, a compactação do IP4, eram a esperança de proximidade, do ” meu carinhoso e saudoso lar “!

Tinha um calendário em cima da mesinha de cabeceira, que ia riscando, cada dia que passava, com o objetivo de encurtar o tempo. Da mesma janela, enquanto admirava as estrelas, agradecia cada quilómetro concluído que era sinônimo de distância mais curta e acessível. Mas, ao mesmo tempo, despontava em mim um dia poder estar “num centro de decisões “, onde pudesse dar o meu contributo para melhorar as condições de vida dos Portugueses.

ao mesmo tempo, despontava em mim um dia poder estar “num centro de decisões “, onde pudesse dar o meu contributo para melhorar as condições de vida dos Portugueses

Lembro que as minhas primeiras preocupações sociais se centravam no quanto era difícil estar longe de casa. Interrogava-me sobre quais os motivos que levavam as pessoas a emigrar? O quão difícil seria ser emigrante, porque o fariam? Estas minhas cogitações coincidiram com o início da governação de Cavaco Silva.

As grandes reformas estruturais e o frenesim de todo o desenvolvimento social e económico da época, não me deixaram indiferente: tornei-me numa social-democrata convicta.

O interesse em contribuir para a continuidade desse desenvolvimento fez com que começasse a participar em iniciativas estudantis e a integrar associações de estudantes.

Em finais dos anos 1980, fui viver para Vila Nova de Gaia. O ingresso no ensino superior, assim o obrigou. Naquela altura, viver em Gaia era um pesadelo! As infraestruturas (serviços, equipamentos e acessibilidades) não acompanharam a urbanização desenfreada. Construiu-se muito e de qualquer maneira. Ou seja, o município cresceu sem equilíbrio, quer ambiental, quer habitacional. Gaia era conhecida por ser o “dormitório da cidade do Porto”.

Todas as manhãs o trânsito era caótico e os autocarros estavam sempre lotados. As pessoas desesperavam para chegar ao trabalho e o regresso a casa era ainda mais deprimente. Aquela sensação de “sardinha enlatada” dentro dos transportes públicos e o som incomodativo das buzinas dos automobilistas, transformavam-se em desabafos de contestação contra os governantes e reportavam-me para o imaginário da governação, da vontade de mudar o dia-a-dia dos portugueses.

Em 1991, ano em que Cavaco Silva ganha a sua segunda maioria absoluta, dei o primeiro passo na política. Preenchi o boletim de inscrição para o exercício da militância no partido social democrático, com convicção de um dia ser a voz de muitos dos portugueses.

Os anos foram passando e a minha militância foi sempre exercida no anonimato. Perdi a conta às discussões que, sozinha, travava com os meus colegas e familiares a favor da social-democracia. Acumulei experiências de vida, que se tornaram no enriquecimento das reais dificuldades e anseios das pessoas. Participei em associações de cariz profissional e social. A vontade de concretizar é a missão mais impulsionadora da minha vida.

Saí do anonimato por volta de 2016 pela mão dos trabalhadores sociais democráticos. O respeito pelas diferentes forças políticas foi o incremento essencial para a troca de ideias construtivas com elevação. Fiz grandes amizades no seio de outros partidos políticos, tínhamos o mesmo propósito: Servir Portugal.

Neste momento, para além da minha carreira profissional sou deputada na Assembleia Municipal de Freixo de Espada à Cinta e candidata à Assembleia da República.

Quando vi o meu nome em 19º lugar, na lista de candidatos a deputados pelo círculo do Porto à Assembleia da República, de imediato regressei ao ano de 1984. Revi a janela do meu quarto, onde vi, pela primeira vez, Portugal a crescer e revivi o desejo de estar no centro das decisões.

Quando vi o meu nome em 19º lugar, na lista de candidatos a deputados pelo círculo do Porto à Assembleia da República, de imediato regressei ao ano de 1984. Revi a janela do meu quarto, onde vi, pela primeira vez, Portugal a crescer e revivi o desejo de estar no centro das decisões.

Hoje, sei que a janela do meu quarto, no Colégio de S. Gonçalo, é responsável pelas minhas andanças na política e da vontade de participar na construção de um país melhor. Só não sei, se estava escrito nas estrelas que o 19º lugar é a janela que concretiza esses desejos. Tal como Rui Rio, serei sempre resiliente e serei sempre, como fui até aos dias de hoje, a deputada dos que me rodeiam, uma vez que, é um lugar que dificilmente abre o acesso à Assembleia da República. Contudo, resta-me acreditar que o 19º lugar é um bom presságio, não fosse ele também o lugar ocupado por Rui Rio aquando da sua primeira candidatura a deputado na Assembleia da República.

Contudo, resta-me acreditar que o 19º lugar é um bom presságio, não fosse ele também o lugar ocupado por Rui Rio aquando da sua primeira candidatura a deputado na Assembleia da República

Apenas quero deixar aqui o testemunho de uma menina vinda do meio rural que, quando nasceu, era tão pequenina que foi batizada pelo seu pai de “meia receita”!

Essa menina, hoje mulher e mãe, respeita todas as ideologias políticas, acredita que todas assentam na premissa de servir o bem-comum e que todos, independentemente das origens e convicções, podem um dia ser um (ou uma) dos 230 deputados à Assembleia da República.

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