summary_large_image
Deputada na Assembleia Municipal de Freixo de Espada à Cinta
O Turismo: a grande riqueza do interior
“O interior sofre já há alguns anos o problema da desertificação, fixar os seus habitantes e conquistar o fluxo demográfico tem sido a tarefa mais árdua dos vários municípios”.
15 Nov 2021, 00:00

O interior sofre já há alguns anos o problema da desertificação, fixar os seus habitantes e conquistar o fluxo demográfico tem sido a tarefa mais árdua dos vários municípios. Como conquistar e mudar este paradigma? Quase de uma forma automática e sem grandes controvérsias, atrevo-me a dizer que todos somos unânimes em afirmar: “criando riqueza local”. Porque é que não se cria essa riqueza? É assim tão difícil criá-la? Será que os nossos autarcas estão a remar no sentido certo? Há quem diga que não temos indústrias, infraestruturas e escolas suficientes que permitam a segurança socioeconómica dos seus habitantes e de quem gostaria de fixar-se nas regiões do interior.

A saúde é também um dos grandes fatores que vem à baila nas discussões da desertificação, a escassa oferta de serviços de saúde não transmite segurança para quem vive ou quer viver no interior

A saúde é também um dos grandes fatores que vem à baila nas discussões da desertificação, a escassa oferta de serviços de saúde não transmite segurança para quem vive ou quer viver no interior. Todos estes argumentos são válidos, mas será que é por aqui que as autarquias devem caminhar? Pois bem: na minha modesta opinião o interior deveria agarrar o seu próprio potencial: o Turismo. O interior é rico nas suas paisagens, monumentos, gastronomia e tradições. Atrair o turismo é dinamizar.

De acordo com o Eng. José Magalhães, Presidente da Associação Empresarial de Vila Real, são realizados vários esforços no sentido de dinamizar o turismo através de cursos profissionais que motivem os jovens do interior a apostar no setor. Tarefa que tem vindo a ser intensificada por outras associações como a Associação Empresarial de Bragança, a Associação Comercial e Industrial do Alto Tâmega e pelo Conselho Associativo Regional do Interior Norte, sendo este a estrutura de cúpula destas associações, na qual os esforços têm sido quase em vão.

A falta de entusiamo na participação dos jovens é notória, as vagas disponíveis nos cursos direcionados para o turismo raramente são preenchidas e os cursos, mesmo assim, avançam com o número mínimo de alunos. Ainda sobre a conversa que tive com o Eng. Magalhães, perguntei-lhe, por uma questão de curiosidade e interesse pessoal, se havia a participação de jovens de Freixo de Espada à Cinta (FEC) nesses cursos? Respondeu-me que até à data não tinham nenhum jovem a frequentar os cursos disponibilizados. Fiquei perplexa, triste, sendo eu filha de um freixenista e conhecendo as potencialidades da riqueza turística do concelho interroguei-me do porquê de tal desinteresse por parte dos jovens da minha terra do coração?! Será que os autarcas estão empenhados em cativar as suas gentes na valorização e aproveitamento das suas próprias riquezas?

“As poucas infraestruturas existentes devem-se aos mais audazes que, com pouco, tentam sobreviver na arte de bem receber sem recursos”

Nos últimos anos, assisti em FEC a um esforço, por parte da autarquia, na divulgação da riqueza turística através de feiras internacionais e nacionais. A preocupação de expor nos espaços urbanos as suas vivências trouxeram um aumento bastante apreciativo do fluxo de turistas. Contudo, esse aumento foi confrontado com vários problemas, a falta de mão de obra qualificada e de infraestruturas capazes para o “bem receber”.

As poucas infraestruturas existentes devem-se aos mais audazes que, com pouco, tentam sobreviver na arte de bem receber sem recursos. Quando estamos perante este cenário, poucos regressam e acabamos por cometer o pecado mortal do turismo que é: “não há condições para voltar”.

Penso que o caminho tem que começar por agarrar os jovens do interior dando-lhes as ferramentas necessárias para poderem criar e colocar em prática as vivências tão enraizadas dos seus avós e pais (o grande segredo do turismo) criando as suas próprias riquezas, criando novos postos de trabalho e revertendo assim o fluxo demográfico a seu favor.

O aumento deste fluxo vai atrair, mais escolas, mais saúde, mais indústria para o interior. Não devemos querer construir a nossa casa pelo telhado, mas sim através de bons alicerces.

  Comentários