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Consultor de Comunicação
Quando Emmanuel Macron pensou nas eleições francesas
Ainda a guerra na Ucrânia não estava nos nossos pensamentos e já víamos o Presidente Emmanuel Macron num corrupio diplomático internacional, tentando evitar a invasão russa.
10 Mar 2022, 15:00

Desde que o conflito militar na Ucrânia começou, o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, tem sido inefável na busca de consensos e na tentativa de alcançar a paz. A meu ver, há várias formas de encarar este esforço gaulês, o que tentarei fazer nas próximas linhas.

Costuma dizer-se que os piores negócios que se podem fazer são com os franceses: porque como acham que valem imenso, inflacionam todos os produtos e todas as negociações. Em resultado, quem compra acaba por adquirir algo que pagaria muito menos se fosse vendido por alguém de outra nacionalidade.

No caso do conflito com a Ucrânia, parece-me que ninguém terá explicado a Macron que Paris já não é o centro do mundo e que a língua diplomática há muito que deixou de ser o francês. Ou ter recordado ao Presidente francês que a última vez que a comunidade internacional ouviu a França foi com De Gaulle porque, precisamente, era De Gaulle.

Macron bem que tem tentado as várias abordagens diplomáticas possíveis, dando-se uma importância que não tem e um papel que a França já não pode ocupar. Reúne-se com o seu homólogo alemão Scholz, numa tentativa de mostrar que o eixo Paris-Berlim está bem e recomenda-se; marca encontros, telefonemas e audiências com Putin, na tentativa de reeditar a influência gaulesa a Moscovo pré-bolchevique. E, tirando o natural destaque interno, que Macron aproveita por estar à frente do Eliseu, internacionalmente ninguém está particularmente interessado nas diligências e (in)sucessos que o Presidente francês tem tido ao longo destas semanas.

Com eleições presidenciais à porta, Macron aposta fortemente na renovação do seu mandato

O fator interno faz aqui, naturalmente, a diferença. Com eleições presidenciais à porta, Macron aposta fortemente na renovação do seu mandato. Com a esquerda dividida e sem um adversário de destaque que possa fazer sombra, resta à extrema-direita ter uma palavra a dizer para uma mais que provável segunda volta. Mas também aqui, a divisão é a palavra de ordem com Marine Le Pen a ver o seu eleitorado fugir para a nova coqueluche radical gaulesa chamada Eric Zemmour.

Seja como for, no dia 10 de abril ver-se-á se a diplomacia de propaganda de Macron deu os seus frutos. As sondagens colocam o chefe do Eliseu à frente, inclusivamente beneficiando dos périplos que Macron foi fazendo por causa da guerra na Ucrânia.

Desconheço se as sondagens em França são mais fiáveis do que as que se realizam em Portugal, mas acredito que o Presidente francês seguirá, confiante, para uma nova vitória eleitoral. Não por causa da diplomacia ou por ser melhor ou pior que os outros candidatos. Mas talvez e apenas porque, à sua esquerda e à sua direita, os eleitores apenas encontram um deserto de ideias ou uma busca incessante de antigos protagonistas por novos protagonismos.

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