17 Dez 2021, 12:00 Em Portugal, tem-se vindo a falar na reconfiguração da direita política como uma disrupção do panorama político. No entanto, se alargarmos horizontes, olhando para o panorama europeu, verificamos que se trata mais duma harmonização com o resto da Europa.
Com efeito, o aparecimento da Iniciativa Liberal e do Chega correspondem à “criação” das filiais, em território nacional, do ALDE (Alliance of Liberals and Democrats for Europe) e do ID (Identity and Democracy), respetivamente. O PSD e o CDS encontram-se ambos integrados no PPE, Partido Popular Europeu. Não entender esta relação com as forças políticas que se sentam em Bruxelas é não perceber que a integração europeia também nos influencia neste aspeto.
A Iniciativa Liberal teve a sua convenção, no passado fim de semana, apresentando como grande bandeira um discurso “destatizante”
No entanto, na minha opinião, existem idiossincrasias lusitanas que devem ser tidas em conta. A Iniciativa Liberal teve a sua convenção, no passado fim de semana, apresentando como grande bandeira um discurso “destatizante”, que, em si, é uma lufada de ar fresco no quadro tradicional dos partidos em Portugal.
No entanto, o facto de se definir como a favor da eutanásia, a favor da despenalização da canábis, participando inclusive em marchas LGBT, poderá impedir que um eleitorado mais conservador, menos cosmopolita, lhes conceda o seu voto, na hora da verdade. É, pois, um dos motivos de interesse para observar se, no próximo dia 30 de janeiro, a IL consegue “sair” de Lisboa e Porto…
A semana ficou também marcada pela detenção de João Rendeiro e respetivo circo mediático que se montou em redor do fato. Rui Rio marcou a agenda observando, num tweet, que esse circo mediático estaria relacionado com as eleições em janeiro. Um coro de vozes se levantou de forma, muito púdica contra o tom e a critica do tweet, com especial relevo para as observações do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. No entanto, pasme-se, o ex-ministro de José Sócrates, Manuel Pinho também foi detido esta semana. Rui Rio, com a astúcia que muitos teimam em não reconhecer, poderá ter sido bastante certeiro para o cidadão comum porque, relembrando a máxima da política: o que parece, é. Por muito que tenha desagradado às “elites da nação”, revelou, como se diz na gíria futebolística, killer instinct..
“Chicão” lembrou aqueles presidentes de clubes de futebol que anunciam “craques” sem contrato assinado, pois um dia depois, Manuel Monteiro, foi à CNN Portugal, de viva voz, declinar o convite
Francisco Rodrigues dos Santos, em entrevista à RTP, tentou mostrar vitalidade e nomes para tentar escapar a ideia de que ninguém de “peso” se quer associar-se a ele, dizendo, com um sorriso rasgado, que Manuel Monteiro seria um Ás-de-Trunfo se integrasse as listas dos centristas. “Chicão” lembrou aqueles presidentes de clubes de futebol que anunciam “craques” sem contrato assinado, pois um dia depois, Manuel Monteiro, foi à CNN Portugal, de viva voz, declinar o convite. Como se diz no ténis, mais um erro não forçado…
No entanto, no Partido Socialista, nem tudo são rosas. Se as listas de deputados reveladas deram menos celeuma que as do PSD, existem curiosidades com alguma relevância. O “encostar” de Francisco Assis, elogiando de forma sibilina o desempenho do seu cargo na presidência do Conselho Economico e Social bem como a reprimenda a João Galamba ao baixar de lugar em Lisboa, são indicadores subtis do xadrez interno que António Costa também joga, não esquecendo a reciclagem de Fernando Medina, ao ser apontado como quinto em Lisboa. Também para seguir…
Depois da saída da Chanceler Merkel, devemos acompanhar com atenção também a realidade francesa, um dos pilares da União Europeia e país que alberga a maior comunidade portuguesa fora de Portugal
As eleições presidenciais em França decorrerão a 10 de abril e, caso ninguém tenha a maioria absoluta, a 24 de abril entre os dois candidatos mais votados. Note-se que as sondagens são ainda bastante inconsistentes, mas existem cenários em que Macron pode ficar pelo caminho, quiçá pela ação de Valérie Pécresse. Uma disputa á direita entre Marine Le Pen e Eric Zemour também poderá baralhar as contas.
Depois da saída da Chanceler Merkel, devemos acompanhar com atenção também a realidade francesa, um dos pilares da União Europeia e país que alberga a maior comunidade portuguesa fora de Portugal.

Deixe um comentário
Tem de iniciar a sessão para publicar um comentário.