O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo tem 24% da população sem médico de família atribuído. A falta de profissionais médicos é justificada pelo aumento das aposentações que, até agora, provocaram um défice de 31 profissionais.
Segundo Diana Leiria, diretora executiva do ACES Médio Tejo, a região tem, neste momento, 55 mil utentes sem médicos de família, o que corresponde a 24% dos utentes inscritos e frequentadores”, acrescentando que, no ano passado, houve “22 médicos a sair e apenas nove entradas por concursos” e este ano, “até ao dia 01 de abril, já saíram 13 médicos e apenas entraram dois”, sendo “muito difícil fazer face a este défice”, explicou a fonte em declarações aos jornalistas e citada pelo jornal Mais Ribatejo.
Em Abrantes, o problema afeta oito mil pessoas. “Para os oito mil utentes sem médico de família em Abrantes nós temos quatro médicos a trabalhar connosco, três prestadores de serviços e uma médica aposentada que aceitou fazer contrato connosco, ainda que a tempo parcial”, afirmou Diana Leiria.
Além disso, segundo a responsável, a chegada de médicos à região na década de 80, faz com que grande parte desses profissionais estejam – agora – a reformar-se, processo que o ACES “tem vindo a tentar minimizar sempre que possível este impacto e a falta de médicos, recorrendo um bocadinho, também, à prestação de serviços, e também recorrendo à oferta de contratos a todos os médicos que se aposentam”, esclareceu.
De acordo com uma fonte da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), este ano 25 médicos “atingiram ou irão atingir a idade da aposentação” no ACES do Médio Tejo, agrupamento que tem 2.706 quilómetros quadrados e abrange 11 municípios com cerca de 225 mil utentes.
Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, afirma que a autarquia “sempre esteve e estará disponível para ser parte da solução e não do problema”, realçando que o município assinou, em março, o auto que concretiza a transferência das competências da Saúde para a autarquia no âmbito da Saúde, continuando a ser o Governo a ser responsável pela contratação e gestão do pessoal médico e de enfermagem.
“Estamos disponíveis para encontrar as melhores estratégias com o Ministério da Saúde e com o ACES Médio Tejo para minimizar o problema e para ajudar a procurar as soluções para captar médicos, enfermeiros e técnicos de saúde para que possam desenvolver a sua atividade profissional em Abrantes”, concluiu.
