A Entogreen, sediada em Santarém, quer responder a um dos principais desafios da atualidade: garantir a alimentação da população mundial.
Segundo Diogo Palha, administrador da Entogreen, em 2050, o Planeta Terra contará com 9 mil milhões de habitantes e, em 2100, cerca de 11 mil milhões de habitantes, número ao qual os métodos de produção tradicionais não vão conseguir dar resposta ao nível da alimentação humana e animal.
Para dar resposta a este problema, a EntoGreen usa insetos para produzir novos sub nutrientes e garantir uma solução sustentável para o ramo alimentar. A iniciativa foi reconhecida pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) que, em 2013 reconheceu o potencial dos insetos no ramo dos nutrientes e da alimentação.
Segundo o administrador da empresa, em Santarém, local onde decorreu a primeira conferência do EuroRegião Talks, há fábricas que retiram 100 toneladas de subprodutos – alimentos que por defeito não podem ser prosseguir para venda das infraestruturas comerciais – e que, até agora, seriam considerados lixo, tendo assim um grande impacte ambiental.
A Entogreen utiliza esses produtos alimentares para alimentar os insetos que, posteriormente, são utilizados para fazer farinha e óleo de inseto, para ração animal, sendo os dejetos desses mesmos insetos canalizados para a produção de fertilizantes.
A empresa, que deve começar a laborar em outubro, vai assegurar a industrialização do processo, garantindo que as larvas têm sempre o mesmo peso e fixando o número de ovos libertados por estes insetos. Assim, a entidade sediada em Santarém vai processar 100 toneladas por dia de subprodutos vegetais, 36 mil toneladas por ano, que vão dar origem a 2,5 mil toneladas de farinha, 500 toneladas de óleo e 7 mil toneladas de fertilizante.
No que diz respeito aos fundos europeus, de acordo com Diogo Palha, a industrialização do processo fez com que a empresa fosse criada para ter acesso aos fundos europeus e que, através do projeto ENTOVALOR, validasse o processo de produção de moscas e larvas e compreendesse a sua alimentação.
Em 2019, com os fundos europeus cedidos pelo COMPETE2020, verificou-se a possibilidade de produzir este tipo de produtos através dos insetos, processo que no ano seguinte seria reforçado com a contratação de recursos humanos – através do Programa Operacional Alentejo 2020 – e com a iniciativa RECOVER que, através do Horizonte 2020, pretende se as larvas são capazes de digerir plástico, colmatando assim a poluição provocada pelo setor.
Já em 2021, o projeto NETA ligado a águas residuais que, com apoios do Compete2020 permite compreender que papel a larva pode ter no processo de gestão das águas residuais.
