No âmbito da primeira sessão do ciclo de conferências EuroRegião Talks, profissionais de diversas áreas, da gestão empresarial à consultoria jurídica, discutiram métodos para potenciar o aproveitamento de fundos europeus.
João Duarte, Publisher do jornal EuroRegião, projeto que beneficia de financiamento da União Europeia (UE), começou por destacar que “os fundos estão mais acessíveis do que parece”.
“Ainda há uma perceção errada de que isto dos fundos é sempre para os mesmos, e de que não estão disponíveis para pequenas e médias empresas. Por experiência própria, sei que não é preciso conhecer ninguém, nem contactos, é preciso apresentar profissionalmente propostas”, mas “o negócio tem de ser vencedor por si próprio, e não inventar ideias para os fundos que existem”, alerta.
Já Tiago Soares Borges, da Associação Comercial, Empresarial e Serviços (ACES), explica que “a primeira grande barreira” para aceder aos fundos comunitários prende-se com a necessidade de “democratização dos fundos europeus”.
“Ainda há uma perceção errada de que isto dos fundos é sempre para os mesmos”.
“A candidatura é acessível a todas as pessoas, todavia a língua, as regras e a burocracia é exigente ao ponto de levar pessoas a desistir e a não acreditar. É aqui que o papel das consultoras é determinante,” defende.
Também, Ramiro Matos, jurista especializado em consultoria jurídica para acesso a fundos comunitários, lembrou que “a competência dos promotores é inversamente proporcional à necessidade de fundos”. Cerca de “75% dos fundos [europeus] são para entidades públicas, apenas um quarto dos fundos vai para as empresas, e desses, cerca de três quartos vai para pequenas e médias empresas”, contudo, “as PME não estão preparadas quer para a candidatura, quer para a execução” do financiamento.
“Há um trabalho importante na elaboração da candidatura, mas este é o primeiro passo de muitos que têm de ser dados. As empresas têm de ter consciência de que têm de ter know-how para todas as fases da candidatura”, para evitar problemas como a exigência da reposição de fundos, explica.
Nesse sentido, “os próprios programas operacionais poderiam ser mais pedagógicos e dar mais formação às entidades,” argumenta.
