Portugal está na linha da frente no que diz respeito à execução dos fundos europeus, sobretudo comparando-se com países que recebem elevados volumes de verbas. É outra das conclusões do trabalho de investigação da Universidade Nova SBE para o EuroRegião que foi tornado público esta semana e será apresentado nos EuroRegião Talks.
A primeira talk arranca amanhã (28.03), em Santarém. Ainda se pode inscrever, gratuitamente, aqui.
Segunda parte da entrevista com João Bernardo Duarte (ler a primeira parte):
ER: Que medidas devem ser tomadas para reforçar o impacto dos fundos estruturais e de investimento (FEEI) em Portugal, nomeadamente no que diz respeito à empregabilidade?
JBD: No estudo, encontramos resultados com baixo impacto dos FEEI no que toca ao emprego. Por um lado, pela diversidade dos projetos financiados pelos FEEI, alguns efeitos dos FEEI sobre o emprego podem estar a operar em sentido inverso. Por outro lado, existem investimentos financiados pelos FEEI que melhoram a competitividade e capacidade produtiva das empresas precisamente por tornarem a produção destas empresas mais intensiva em capital.
O investimento em capital pode ter dois efeitos: um de substituição, onde nomeadamente trabalhadores menos qualificados e que desempenham tarefas mais repetitivas são substituídos por máquinas e processos mais eficientes; e outro de rendimento, onde a maior produtividade das empresas e maior conquista de mercados permite aumentar a procura por emprego.
Com este estudo, não temos uma resposta clara do que se pode fazer para aumentar o impacto dos FEEI na empregabilidade. Teríamos de estudar esta questão mais a fundo num estudo separado.
ER: O que falhou, em Portugal, para a média do apoio executado ser substancialmente mais baixa do que a média associada ao apoio aprovado?
JBD: Não falhou nada. É normal e acontece em todos os países. Os projetos demoram a serem executados. Mas se olharmos para o nosso estudo, vemos que a taxa de execução de Portugal é uma das melhores dos países da UE, principalmente se considerarmos apenas os que recebem volumes elevados de FEEI.
ER: O que justifica a assimetria nacional no que diz respeito à aplicação dos FEEI?
JBD: A assimetria é resultado da maneira que a alocação dos fundos foi desenhada. Conforme consta no estudo, apenas regiões abaixo de 75% do PIB per capita médio na União Europeia, ajustado para o poder de compra, podem receber os FEEI.
Claro que existem algumas exceções, por causa das sedes das empresas e por causa de alguns projetos terem caráter nacional.
continua…
- Ler a terceira parte da entrevista: “Covid-19 afetou mais as regiões portuguesas do que as regiões do resto da UE”.
- Ler a primeira parte da entrevista: “Regiões portuguesas convergiram entre si devido aos fundos europeus”.
