21 Jun 2022, 00:00 Ponto prévio: acabar com a visão maniqueísta entre portugueses que trabalham no público e outros que trabalham no privado. São gente da mesma cepa. A base de recrutamento é a mesma e assumem, por vezes, funções comparáveis.
Sabemos que existe a possibilidade de, em média, um trabalhador do privado e um do público terem preferências diferentes fazendo com que uns sejam mais atraídos a trabalhar num lado do que noutro. Mas será uma entre outras variáveis. Não é, pois, justo assacar responsabilidades, de per si, às escolhas de cada pessoa para medir o seu desempenho futuro.
O que justifica então os diferentes ritmos e produtividade entre setores privado e público?
No que aos recursos humanos diz respeito, são muitas as diferenças entre um setor e outro: horário (35 versus 40 horas), dias de férias (mais dias bónus por anos de trabalho no público), ordenados (mais altos no início de carreira e em termos médios no Estado, mais altos nos cargos de topo no privado), recrutamento (mais burocrático e demorado no Estado), estabilidade (maior no Estado), evolução da carreira (no Estado é lenta e por antiguidade), saúde (ADSE, que atualmente é paga, versus seguros de saúde) e benefícios extra (mais flexíveis nas empresas).
A mola que impulsiona a economia são os incentivos, são estes que induzem as decisões dos agentes económicos
Como vemos os motivos que determinam a escolha são muitos, mas a explicação maior à anterior questão está para lá dos mesmos. A mola que impulsiona a economia são os incentivos, são estes que induzem as decisões dos agentes económicos. E no Estado estes incentivos ou não estão sinalizados, portanto, não existem; ou existem, por vezes, com sinais contrários.
A ausência da premiação do mérito de quem decide se esforçar, quer por progressões mais rápidas na carreira, quer por melhores salários, será, porventura o maior desincentivo à motivação e desempenho dos trabalhadores
O problema é complexo, e a estrutura organizativa do Estado bem como o emaranhado de regras que restringem a descentralização e a autonomia de cada organismo não ajudam. Ainda assim, a ausência da premiação do mérito de quem decide se esforçar, quer por progressões mais rápidas na carreira, quer por melhores salários, será, porventura o maior desincentivo à motivação e desempenho dos trabalhadores.
As pessoas estão lá, as competências estão lá. É possível fazer bastante mais com os mesmos recursos.

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