O Mercado do Bolhão, que está a ser reabilitado, tem reabertura marcada para o final do primeiro semestre de 2022. A infraestrutura, que tem operado temporariamente no centro comercial La Vie, no Porto, vai cobrar rendas cinco ou seis vezes superiores às que os comerciantes pagam atualmente.
Em declarações à Lusa, Nuno Fernandes, filho da proprietária do restaurante “D. Gina”, conta que atualmente paga cerca de 200 euros pelo espaço de restauração com 38 metros quadrados (m2) no Mercado Temporário do Bolhão, e que, no espaço reabilitado, a mensalidade deverá ultrapassar os mil euros. “As rendas vão ser mais caras, mas que remédio”, exclama Nuno Fernandes, ciente que vai pagar para ter “condições melhores e mais dignas” para trabalhar.
Já José Pintainho, dono do restaurante “O Pintainho 36”, espaço que existe no Bolhão há 45 anos, está convicto no regresso ao original edifício do Mercado do Bolhão já durante o verão, afirmando que, apesar da possibilidade de vir a pagar cerca de 1.500 euros de renda pelo seu espaço comercial, não receia o processo, uma vez que espera que “com o final da pandemia da COVID-19 o Porto volte ao normal e o Bolhão volte a respirar. Volte a ofegar”, defendeu.
Na padaria “Madalena”, cuja renda atual é de 50 euros mensais, a operadora Amélia Babo conta que também está impaciente para regressar ao Bolhão, pois confessa que no Mercado Temporário o negócio está complicado.
“Estou com muita vontade de regressar ao Bolhão original e espero que o negócio volte a ser o que era, pois tinha dias de vender 300 pastéis de nata e agora há dias que nem três natas vendo”, lamenta, afirmando que só os clientes antigos é que continuam a vir, mas muitos desistem.
A vontade de regressar ao antiga espaço é notória em todo o Mercado Temporário do Bolhão, onde os comerciantes estão conscientes sobre o aumento das rendas, mas estão conscientes que esse é o preço a pagar por mais espaço, para dizer adeus às baratas do mercado antes do restauro e beneficiar de “melhores e mais dignas condições de trabalho”.
“Os novos vão pagar os preços que se praticam na cidade. É a lei da oferta e da procura”, conclui José Pintainho, referindo que é possível que nas lojas maiores do Bolhão, com mezzanine, se chegue aos “sete mil euros por mês” de renda.
