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Presidente da Assembleia da Freguesia de Paranhos
Dia de reflexão? Vale a pena refletir!
"Faz ainda sentido o Dia de Reflexão em vésperas de Eleições?"
28 Jan 2022, 00:00

A Lei Eleitoral para a Assembleia Constituinte (a Assembleia que se seguiu ao 25 de abril de 1974 e que ainda não resultava de eleições) consagrava o Dia de Reflexão (vamos escrever assim com letra maiúscula…) em vésperas de eleições. Estávamos em 1975.

À época era plenamente justificado, pois nesses anos de 74, 75 e 76, Portugal estava num período de grande agitação política e social em que era necessário evitar confrontos, para que o debate das ideias e propostas não fosse concretizado pela ameaça, pela gritaria e muitas vezes pelo combate físico!

Não havia, pois, experiência eleitoral nem maturidade política em Portugal

O povo precisava de, pelo menos, um dia sem apelos inflamados, sem extremismos de vocabulário e sem manifestações de rua ou outras, que pudessem “manipular” a vontade individual dos eleitores.
Não havia, pois, experiência eleitoral nem maturidade política em Portugal. Era um país com dois canais de televisão, pobres em informação, em meios e em agilidade jornalística.

Entretanto, passaram 45 anos! O Mundo mudou e a uma velocidade em completa aceleração de década para década. Hoje, em aceleração quase diária. Portugal passou o PREC, a estabilidade constitucional, a entrada na Europa, a queda do Muro de Berlim, que sendo fora do território nacional, foi um acontecimento à escala global e qua construiu uma nova Europa e destruiu a Cortina de Ferro (na expressão feliz de Winston Churchill). Construímos um novo país em redes viárias, na Comunicação Social, no Ensino Superior – a que ao Público, juntámos o Privado – na importação de modelos e produtos culturais (uns mais felizes que outros…), entrámos no Euro e na era dourada das Novas Tecnologias. O tecido social e sociológico mudou radicalmente em Portugal!

Convém, talvez, refletir sobre o que ainda não mudou! Esta reflexão implica a pergunta: faz ainda sentido o Dia de Reflexão em vésperas de Eleições?

Convém, talvez, refletir sobre o que ainda não mudou! Esta reflexão implica a pergunta: faz ainda sentido o Dia de Reflexão em vésperas de Eleições? Em minha opinião, não! Exatamente porque hoje vivemos em tranquilidade política (num Democracia com inúmeras deficiências e insuficiências? Sim, mas estável), o radicalismo discursivo e revolucionário (salvo muito raras exceções na atualidade…) não existe de forma a condicionar as escolhas, as redes sociais são imparáveis no seu fluxo informativo, especulativo, de notícias falsas, de diretos, de indignações e opiniões milhares de vezes partilhadas e as dezenas de canais televisivos levam tudo, a todos em todas as horas!

Para além disso, já temos o voto antecipado e não demorará muito a termos o voto eletrónico. Temos “comícios” online, comentadores de todas as áreas políticas e formações, tempos de antena (ainda resistem…) e temo muito mais formação cívica e política que tinha o Portugal dos anos 70!

Não é difícil acabar com o Dia de Reflexão, se se chegar à conclusão que é uma “gordura” institucional que bem podemos eliminar: basta a Assembleia da República exercer essa sua competência. Para isso, é preciso uma reflexão geral, partilhada, pragmática e politicamente ágil! Temos mais 4 anos de legislatura que agora começam!

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