26 Nov 2021, 00:00 Rui Veloso completou recentemente 40 anos de carreira! No Portugal do princípio dos anos 1980, do século passado, o seu “Ar de Rock” não foi apenas uma brisa que desempoeirou a música portuguesa de então, mas um autêntico vendaval que mudou o paradigma daquilo que passou a ser designado por “rock português”, tendo Rui Veloso como pai.
Das letras aos ritmos, da sonoridade da guitarra com influências de “blues” à revivalista harmónica, tudo foi diferente desde então!
As influências de BB King e Eric Clapton, com quem tocou, trouxeram “mundo” ao panorama musical português, até então muito dominado pelo Fado, pela canção ligeira e, depois do 25 de abril de 1974, pela música de intervenção. Abriu-se, desta forma, uma janela para uma outra forma de globalização até então inexplorada, ou mesmo ignorada.
Falar de Rui Veloso é falar também de Carlos Tê, cujas letras são verdadeiros poemas que as ultrapassam como suporte para as composições musicais. Daqui saíram músicas que mais do que ícones, são verdadeiras marcas do Porto e de Portugal.
Falamos de “Chico Fininho” aos “esses pela rua acima, ou a afirmação de que “Não há Estrelas no céu” a dourar o meu caminho, de um “Porto Sentido” por ruelas e calçadas, até “Porto Covo” que diz que um Vizir de Odemira se matou novo por Amor! Tantas que poderíamos referir que, em cada uma delas, para além de uma grande música se contam também belíssimas histórias.
Em Junho de 2006 atuou no Rock in Rio em Lisboa, precedendo os concertos de Carlos Santana e de Roger Waters e, antes, já os Presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio o haviam tornado, o primeiro, Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique e o segundo elevou-o a Comendador da mesma Ordem.
O Porto, para onde Rui Veloso veio viver poucos meses após o seu nascimento, deve-lhe muito. A “Muy Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade” ainda ficou a ser mais conhecida pelo Artista e pelas suas músicas, tornando-se ele e “elas” (mais) uma marca da cidade. Quanto mais não fosse, aqui imortalizou Jardel a voar sobre os centrais!
Quis o destino (digamos assim…) que o apelido Veloso que Rui transporta, estivesse também ligado diretamente à História do Porto e à História recente de Portugal
Quis o destino (digamos assim…) que o apelido Veloso que Rui transporta, estivesse também ligado diretamente à História do Porto e à História recente de Portugal: é filho do Engº Aureliano Veloso, primeiro Presidente da Câmara Municipal do Porto democraticamente eleito e sobrinho do General António Pires Veloso, Comandante da Região Militar do Norte, Cidadão exemplar e português de excelência e que, juntamente com várias personalidades da vida política e militar em 1975, impediu que Portugal entrasse numa guerra civil e se tivesse submetido a um qualquer sucedâneo politburo soviético! A não ter sido assim, a “música” teria sido outra…!
Quarenta anos é uma vida e várias gerações! Parabéns Comendador Rui Veloso! Que nunca se perca essa “Paixão (segundo Nicolau da Viola)” e siga o “Baile da Paróquia”!

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