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Presidente da Assembleia da Freguesia de Paranhos
O debate interno nos partidos ou a diferença entre a responsabilidade e o populismo
“A disputa da liderança de um Partido é sempre um grande momento da vida política, composto por vários pequenos momentos”.
19 Nov 2021, 09:00

A disputa da liderança de um Partido é sempre um grande momento da vida política, composto por vários pequenos momentos. É grande, porque centra a atenção da comunicação social, dos cidadãos interessados, dos opinion makers, faz capas de jornais, entre outras consequências e tudo é mais amplificado quanto maior for o partido. Tem, no entanto, esses vários pequenos momentos porque as estratégias, as encenações, as “jogadas táticas” e o desfile de apoios, são cada uma delas como que atos de uma peça de teatro, cujo público são os eleitores.

Mas há, e obrigatoriamente tem de haver, momentos de reflexão. Momentos em que cada um se mostra verdadeiramente como é e ao que vem, mesmo quando está em cima desse palco!

Deve um líder partidário e putativo Primeiro-Ministro ignorar os militantes e falar para o país por cima do seu próprio partido?

Momentos em que o Homem e a Personagem se desmascaram. Nesse(s) momento(s) fica exposta a linha ténue entre a responsabilidade e o populismo! Temos mais “Homem” ou temos mais “Personagem”?
Deve um líder partidário e putativo Primeiro-Ministro ignorar os militantes e falar para o país por cima do seu próprio partido? Deve um líder partidário criar um muro entre a política interna e a política nacional, como se a última não fosse, em grande parte, resultante do pulsar e das dinâmicas internas de todos os partidos? É legítimo recusar debater com o, ou com os, oponentes internos? É, mais do que isso, sério e democrático? É credível um líder partidário desdizer-se e branquear algumas das suas convicções (?) apresentadas como imutáveis? A todas estas questões a minha resposta é NÃO!

Um líder partidário tem de aproveitar o Partido e todas as suas “portas e janelas” para se abrir à sociedade. Não pode obrigar essa mesma sociedade a subir o muro para conhecer as propostas…

Os militantes terão de ser os primeiros a ser convencidos. Serão eles, no momento a seguir, os porta-vozes das Ideias, da Visão para o país e os primeiros agentes da mudança que é proposta. Um líder partidário tem de aproveitar o Partido e todas as suas “portas e janelas” para se abrir à sociedade. Não pode obrigar essa mesma sociedade a subir o muro para conhecer as propostas…

Não. Não é legítimo recusar debater com o opositor. Sobretudo com medo de o debate “poder prejudicar a imagem interna” do partido. Se não forem capazes de uns e outros, mostrar a dignidade, a elegância, a combatividade também, claro, as diferenças entre si e, pelo contrário, se transformarem em lutadores de wrestling, então nem uns nem outros merecem ganhar coisa alguma…!

O debate é fundamental para, num primeiro momento, se discutirem ideias e propostas e, num segundo momento, ser visível quem está mais bem preparado. Por isto, não é sério, nem democrático nem credível, quem se furta ao debate interno com esta dupla (e falaciosa) argumentação: 1) O que interessa são os eleitores do país e, portanto, os militantes já não contam; 2) Debater pode ser prejudicial para o partido.

Se o primeiro argumento revela arrogância e desprezo (o Populismo), o segundo revela, se não o medo, pelo menos o apego à cadeira do Poder

Se o primeiro argumento revela arrogância e desprezo (o Populismo), o segundo revela, se não o medo, pelo menos o apego à cadeira do Poder. Assim, ser RESPONSÁVEL é valorizar o partido, respeitar os militantes, não alterar ou querer alterar regras a meio do jogo, pugnar pela democracia interna, apresentar e discutir (e porque não melhorar?) as ideias e a visão de governo.

Ser POPULISTA, é por um ar grave e sério e fazer de conta que o interesse nacional é um fardo que se carrega cujos fins justificam todos os meios. Maquiavel não faria melhor!

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