11 Nov 2021, 09:00 O PSD e o CDS, dois partidos fundadores da Democracia em Portugal, encontram-se enredados numa contradição e num dilema! Contradição, porque a Democracia que exigem para fora, não estão a querer aplicar internamente. Dilema, porque se a aplicarem, os seus atuais líderes correm o sério risco de perder as respetivas eleições.
No caso do CDS esta questão tem-se “resolvido” com uma debandada geral de militantes e de alguns quadros do Partido, de referência e de exceção, no panorama político português. No caso do PSD, com tentativas de recuo sobre decisões já legitima e institucionalmente tomadas, aliadas a um ataque sem precedentes à figura do Presidente da República.
Há um claro condicionamento, não só à vontade dos militantes, mas também à sua consciência individual, para adiar as eleições internas que já foram aprovadas…
Se a direção nacional do PSD não tivesse aberto extemporaneamente o processo eleitoral interno, a 28 de setembro, e decidido por proposta da mesma Direção Nacional as eleições internas, a 4 de dezembro, nada disto aconteceria… Até porque o mandato do Presidente do Partido só termina em janeiro de 2022.
Porquê não cumprir, então, o mandato até ao fim? Porquê, dois dias após as eleições autárquicas, abrir com 4 meses de antecedência o processo eleitoral interno?
Porquê, depois de uma derrota expressiva no CN, querer fazer reverter o normal funcionamento democrático do partido? Porquê a surpresa de haver uma candidatura alternativa? Será que (indo só aos últimos 2 anos) a oposição foi corajosa, visível, consequente, geradora de esperança? Será que o PSD combateu verdadeiramente os desmandos da esquerda que capturou um PS em diversos Orçamentos de Estado? Onde esteve o PSD quando se verificaram as demissões nos hospitais pelo abandono ideológico a que o SNS e os seus profissionais foram votados? Onde esteve o PSD na humilhação política a que foram sujeitas as principais chefias militares e as tropas especiais? O que pensa o PSD dos principais problemas energéticos e da vergonha que é o 5G? Qual o balanço e produção de ideias do CEN nos últimos 2 anos?
Que pessoas e quadros o PSD cativou, pelas ideias e pela apresentação de uma alternativa ao PS – sem ser insistir em acordos na sociedade não militante? Não tenho resposta…
O que sei é que o PSD foi um dos responsáveis pelo fim dos debates quinzenais na AR e que na véspera das eleições europeias se juntou ao BE e ao PCP contra os professores! O que sei é que a direção nacional do PSD desrespeitou totalmente o último Congresso com a moção aprovada sobre o referendo à Eutanásia! Ignorou e ultrapassou o principal Órgão do partido.
Não! O partido não foi unido, ouvido nem respeitado. E não, infelizmente, o PSD não ganhou as Autárquicas! Recuperou algumas câmaras e, naturalmente, teve mais eleitos.
E, se o mérito da vitória em Lisboa é atribuído, por vários dirigentes, ao Presidente do Partido, porque escolheu o candidato (totalmente discutível esse mérito para a vitória), então a responsabilidade da derrota nas Europeias também é sua. E aqui os Professores deram-lhe uma lição!
Se querem – PSD e CDS – darem-se ao respeito, cumpram as regras da Democracia, legitimem pela vontade dos seus militantes um líder e apresentem alternativas a Portugal!
Do PSD, espera-se que, renovado, deixe de ser um dos braços da cadeira do Poder onde o PS se senta e se apoia! Do CDS, que honre a tradição de respeito, liberdade de opinião e de lucidez intelectual de Homens como Amaro da Costa, de um Freitas do Amaral da sua fundação e de Adriano Moreira.

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