Segundo o blogue especializado em educação ArLindo, as dificuldades de colocações de professores estão a agravar-se, particularmente na região do Lisboa e Vale do Tejo, mas também no Algarve e no Alentejo – os chamados quadros de zona pedagógica (QZP).
Os colaboradores do blogue analisam a lista de docentes que manifestaram a sua disponibilidade para contratação, e que ainda não foram colocados, e comparam esses dados com os horários de professores por preencher, em todo o país. Segundo Davide Martins, professor de Matemática e colaborador do blogue, em entrevista ao Expresso, situação “é grave em todo o país, mas assume contornos dramáticos em algumas regiões”, onde “a enorme maioria” dos professores disponíveis nem sequer concorre.
Segundo o docente, em Lisboa, disciplinas como Geografia, Alemão e Informática, já esgotaram os professores disponíveis. Para Física e Química só há um possível candidato, para Matemática quatro e para Biologia e Geologia e Português restam seis. Ainda que estes candidatos sejam colocados, se o horário disponível for incompleto, há menos probabilidade de que aceitem, devido aos elevados custos de vida praticados na capital.
Na última semana, o blogue apurou que existiam mais de 400 horários para os quais não foram encontrados candidatos disponíveis. O problema é agravado pelo envelhecimento desta classe profissional, que resulta num elevado número de baixas médicas e aposentações durante o ano letivo.
Face ao número insuficiente de professores nas listas de recrutamento, são realizadas as chamadas ofertas de escola. Isto é, são abertas oportunidades de emprego, a que se podem candidatar todos aqueles que cumpram os requisitos mínimos de habilitação. Ou seja, passa-se à contratação de profissionais que não têm, necessariamente, formação para professores.
“De ano para ano, a situação agrava-se. No ano passado sentiu-se a falta de professores em outubro, desta vez foi já em setembro. E o pior é que não vejo nada a ser feito para resolver o problema. Nem do lado de um maior controlo das baixas e das mobilidades por doença, nem do lado da resolução da precariedade da profissão e do incentivo aos mais novos para seguirem a carreira. Nem no Plano de Recuperação e Resiliência nem no Orçamento do Estado”, lamentou.
