TAP PODERÁ TER DE REDUZIR VOOS PARA O PORTO E PARA AS ILHAS
“A presença da TAP no Porto, Funchal ou Ponta Delgada passará a ser semelhante à de Faro,” avisa especialista em consultoria de transporte aéreo, aeroportos e turismo.
Redação
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27 de Dezembro 2021, 16:00
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A empresa de consultoria especializada em transporte aéreo, aeroportos e turismo, SkyExpert, está preocupada com as consequências do plano de restruturação da TAP para o número de voos para o Porto e para as ilhas. Pedro Castro, fundador e diretor da firma, garante que “a TAP não terá frota suficiente para os slots que tem”.

De acordo com a decisão de Bruxelas, devem ser mantidos 94 aviões, em vez dos 108 que estavam antigamente em circulação, e a companhia terá de abdicar de 18 pares de “slots” de descolagem e aterragem no aeroporto de Lisboa, a partir de novembro de 2022. Estes valores representam uma redução de 12% da frota, mas de apenas 5% nas slots.

“A única solução será retirar os aviões dos voos de outras rotas fora da base de Lisboa”.

O responsável da SkyExpert, citado pela RTP Madeira, lembra as declarações de Christine Ourmières-Widener, CEO da TAP: “temos de ter cuidado para não diluir ou correr riscos naquele que é o nosso principal ativo (aeroporto de Lisboa)”, disse. Segundo Pedro Castro, esta afirmação da CEO da companhia aérea portuguesa, feita logo depois do anúncio da Comissão Europeia, mostra que a empresa está consciente da impossibilidade de realizar voos em todas as slots que tem disponíveis, devido à frota reduzida.

“Desde logo, os 18 “slots” que terá de abandonar em Lisboa a partir de novembro de 2022 não chegam. E como o objetivo é proteger a posição dominante da companhia na Portela, a única solução será retirar os aviões dos voos de outras rotas fora da base de Lisboa – atualmente, apenas os voos diretos entre Porto-Madeira, Porto-Açores e Porto-Europa/Intercontinental não usam “slots” relacionados com Lisboa. Essas rotas serão sacrificadas e a presença da TAP no Porto, Funchal ou Ponta Delgada passará a ser semelhante à que Faro tem há décadas: 2-3 voos diários apenas para Lisboa com o objetivo principal ou único de alimentar Lisboa com passageiros para outros destinos. Aliás, para além de Faro, é notória já a redução de destinos Europeus a partir do Porto, e é igualmente notório que a TAP prefere deixar de servir uma rota doméstica como Porto Santo do que deixar de voar para destinos internacionais como as estâncias balneares de Fuerteventura, nas Canárias, ou Agadir, em Marrocos, deixando a Ilha Portuguesa sem qualquer voo direto para o Continente,” argumenta o especialista.

Na opinião do diretor da SkyExpert, esta estratégia de operação “não beneficia o País como um todo” e, considera, “não é essa a agenda comercial da TAP”, mas foi essa “a agenda política comunicada para permitir justificar o financiamento público do Estado e para receber o aval de Bruxelas”, conclui.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação Pedro Nuno Santos, numa entrevista publicada hoje no jornal Eco, admite que “o modelo de negócio da TAP de hub-and-spoke [aeroporto central que recebe passageiros de outros aeroportos e os distribui para voos internacionais e intercontinentais] tem consequências” e prevê a possibilidade de “dar mais apoios para as companhias aéreas voarem para o Porto”.

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