RESÍDUOS VÃO ALIMENTAR PORTUGUESES
O projeto Co-CerealValue quer utilizar os resíduos dos cereais para criar produtos alimentares com alto valor nutricional.
Maria João Silva
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27 de Abril 2022, 16:00
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O Co-CerealValue, criado por um consórcio constituído pelos Silos de Leixões, entidade que lidera o projeto, a empresa Germen, responsável pela moagem dos cereais, em parceria com a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto e o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) pretendem transformar os resíduos dos cereais, que antes seriam utilizados na alimentação de animais, em produtos para alimentação humana com elevado valor nutricional.

O défice na produção de cerais, os preços e a livre circulação de mercadorias e a especialização de produções a nível global criaram elevados riscos de interdependência. O Co-CerealValue pretende dar resposta a esta problemática ao desenvolver, através dos resíduos provenientes da produção de cereais, produtos ricos em fibras, proteínas e antioxidantes e ainda uma plataforma para monitorizar a cadeia de valor, permitindo o controlo da qualidade da matéria-prima durante todo o transporte.

Segundo Manuela Pintado, investigadora e diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica Portuguesa no Porto, “o sector dos cereais gera uma grande quantidade de subprodutos, que ainda mantêm na sua composição um manancial de nutrientes e compostos bioativos, que bem geridos podem voltar a ter valor acrescentado e contribuir com benefícios económicos e ambientais para os produtores/processadores e benefícios de saúde para o consumidor”, informou, acrescentando ainda que “o reaproveitamento destes subprodutos foi uma mais-valia significativa pois permitiu enriquecer a alimentação humana com ingredientes nutritivos que podem trazer benefícios para a saúde, e que são provenientes de fontes naturais”, pode ler-se no comunicado citado pelo jornal A Nação.

Já Ema Dias, responsável de Qualidade e I+D da GERMEN – Moagem de Cereais S.A, explica que “a transformação de cereais em farinhas gera anualmente cerca de 20 mil toneladas de subprodutos de grande valor nutricional e que são encaminhados atualmente para a alimentação animal. Estamos a falar do gérmen e sêmea de trigo que contribuem com dois nutrientes fundamentais para a alimentação humana: a fibra e a proteína. O Co-CerealValue permitiu valorizar esses subprodutos, desenvolvendo produtos ou formulados funcionais com alegações únicas de mercado,” acrescentando, “reunimos, num só produto, a proteína e a fibra, sem adição de açúcares, que podem ser aplicados em cereais de pequeno-almoço, barras energéticas, granola, entre outros”, esclareceu.

Nuno Fernandes, diretor-geral da Silos de Leixões, afirma, por sua vez, que a iniciativa “permitiu que fosse desenvolvido um smart sensor em resposta à necessidade de controlar a temperatura dos agroalimentares em instalações que não disponham de controlo termométrico”, explicou. Segundo António Baptista, investigador coordenador do INEGI,  investigador coordenador do INEGI, “com este sensor, é possível identificar e prevenir contaminações e outros problemas no interior do volume de cereal armazenado, em zonas até hoje inacessíveis, melhorando a rastreabilidade e reduzindo o desperdício alimentar”, concluiu.

A iniciativa conta com um apoio de 546 mil euros proveniente do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

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