A Escola de Ciências da Universidade do Minho (UM), em parceria com os Serviços de Ação Social do mesmo estabelecimento de ensino, e a Society Loving the Planet Minho criou um projeto de reciclagem de lentes de contacto, contando, até agora, com diversos pontos de recolha de lentes de contacto usadas nos bares, complexos desportivos e residências universitárias.
Segundo Madalena Lira, um dos objetivos da iniciativa “é consciencializar a população para que não deite as lentes para a sanita, lavatório, etc”, uma vez que estas “vão-se partindo e podem tornar-se em microplásticos que entram depois na cadeia alimentar dos peixes”, revelou a investigadora do Departamento de Física da UM.
“É mais uma fonte a contribuir para os microplásticos. A maior parte das pessoas não tem ideia, aquilo é uma ‘coisinha’ que parece muito frágil, que não tem qualquer problema. A cada dia, milhões são deitadas ao lixo. A tendência é cada vez mais pessoas utilizarem as lentes diárias. Isto, vezes os milhões de pessoas que utilizam lentes, dá um volume grande. É preciso alertar um bocadinho para isso, as pessoas acham que não tem mal nenhum, e acaba por ter”, alertou.
De acordo com a mesma fonte, o projeto vai, numa segunda fase, “recolher esse material, que servirá de matéria-prima” para “desenvolver um produto novo e que tenha esse material como base”. Contudo, o processo exige algum estudo, pelo que a UM já tem vindo a desenvolver “alguns ensaios-piloto” que coordenam o trabalho feito pelos Centro de Física das Universidade do Minho e do Porto e o Centro de Biologia Molecular e Ambiental e o Instituto de Polímeros e Compósitos.
“Juntamente com engenharia de polímeros, fizemos alguns ensaios para aferir as potencialidades destes polímeros. A ideia que temos é juntá-lo a uma outra base e transformá-lo num outro produto. Já temos algumas ideias, e alguns pequenos testes que percebemos que é muito possível, mas para já, não podemos dizer mais nada”, concluiu.
