Um total de 275 mil euros será concedido por Bruxelas para apoiar os produtores de cana-de-açúcar madeirenses a fazer face às dificuldades impostas pela pandemia de COVID-19.
“A medida visa mitigar a falta de liquidez que os beneficiários enfrentam e resolver parte das perdas sofridas devido ao surto de coronavírus e às medidas restritivas em vigor para limitar a propagação do vírus”, explicou a Comissão Europeia, em comunicado.
A verba assumirá a forma de subvenções diretas, e foi aprovada ao abrigo do Quadro Temporário de Auxílios Estatais. Estes apoios, normalmente vedados pelas apertadas regras de concorrência comunitárias, estão excecionalmente disponíveis devido ao contexto pandémico.
A Comissão considerou o financiamento necessário, adequado e com o objetivo de “sanar uma perturbação grave da economia de um Estado-Membro”.
Segundo a Associação de Produtores de Cana Sacarina, em declarações à RTP, a pandemia atrasou a apanha da cana-de-açúcar e os pagamentos tardios dos engenhos deixam os mais de mil produtores com dificuldades de subsistência. Atualmente, os agricultores recebem apenas 28 cêntimos/kg e a ajuda da Europa tornou-se imprescindível.
Manuel Marques, produtor de cana-de-açúcar, relata o desespero dos trabalhadores do setor que muitas vezes têm de “tirar da boca das crianças” para conseguir investir na sua atividade.
A cana-de-açúcar, importada da Sicília pelo Infante D. Henrique, é um dos produtos agrícolas com maior tradição na região da Madeira. A cultura da cana-de-açúcar no arquipélago remota ao século XV quando a ilha era o principal fornecedor do açúcar da Europa – período que ficou conhecido como a “era do ouro branco”.
Atualmente, a exploração de cana-de-açúcar na Madeira é maioritariamente destinada à produção de mel de cana, aguardente de cana e às famosas iguarias gastronómicas da região como o bolo de mel e a poncha.
