O Banco Central Europeu (BCE) prepara-se para subir os juros pela primeira vez em mais de dez anos esta quinta-feira (21/07). A autoridade monetária, liderada pela francesa Christine Lagarde, anunciou um aumento de 50 pontos base nas taxas de juro.
Com a medida, a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento sobe para 0,5% (contra o anterior nível de 0%), enquanto a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez avança para 0,75% (de 0,25%) e a taxa de depósitos para 0% (face aos anteriores -0,50%).
A entidade europeia pretende travar a escalada da inflação na Zona Euro, que atingiu em junho os 8,6%, no valor mais elevado desde a introdução da moeda única devido à guerra na Ucrânia, o que obrigou o Banco Central Europeu a realizar uma atualização adequada ao cenário económico da Zona Euro.
“O Conselho do BCE considerou apropriado dar um primeiro passo maior, na sua trajetória de normalização das taxas de juro diretoras, do que o sinalizado na reunião anterior. Esta decisão assenta na avaliação atualizada do Conselho do BCE relativamente aos riscos de inflação e no apoio reforçado proporcionado [pela nova ferramenta ‘anti-crise’] para a transmissão eficaz da política monetária”, escreve a autoridade monetária em comunicado, garantindo contudo, que “apoiará o regresso da inflação ao objetivo de médio prazo do Conselho do BCE, ao ancorar mais firmemente as expectativas de inflação e ao garantir o ajustamento das condições da procura para a consecução do objetivo de inflação a médio prazo”.
Além desta medida, o BCE já anunciou que vai fazer novos ajustes em setembro, lançando também uma nova ferramenta anti fragmentação. “Nas próximas reuniões do Conselho do BCE, será apropriada uma nova normalização das taxas de juro. A antecipação, hoje decidida, da saída de taxas de juro negativas permite ao Conselho do BCE efetuar a transição para uma abordagem reunião a reunião nas decisões sobre as taxas de juro”, concluiu.
