2022 manteve a tendência de subida dos preços que já se registava no ano anterior, verificando-se assim um aumento de 0,8% entre janeiro e fevereiro, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).
De acordo com os dados da entidade, no último mês, a tendência de aumento acentuou-se com o início da guerra na Ucrânia, subindo por isso 3,5% no terceiro mês do ano. Entre os produtos que registaram mais aumento estão: o pão, os cereais, a carne (3,8%) e ainda óleos e gorduras, que cresceram 18,6% face a janeiro.
Segundo o estudo do INE, durante o mesmo período, o preço dos combustíveis líquidos aumentou 22,0% , processo que, segundo Francisca Guedes de Oliveira, economista e professora na Católica Porto, não pode ser previsto e deve ser colmatado pelas entidades europeias, nomeadamente o Banco Central Europeu (BCE), sem pôr o “foco apenas na inflação”.
Já Carlos Martins, professor de estratégia empresarial na Universidade Lusíada do Porto, afirma que a inflação, apesar de estar a ser combatida, terá impacto na economia, já que “as pessoas vão ter tendência para comprar menos e haverá uma quebra do consumo” e, além disso, poderá também haver um aumento de custos das empresas devido à subida da fatura energética e das matérias-primas, algo que terá consequências nos investimentos e nos recursos humanos das empresas.
Segundo a mesma fonte, este processo poderá aumentar o preço do dinheiro, fenómenos que já afeta empresas e famílias que, nos últimos meses, verificaram aumento no vestuário (subida de 17,4%) e no alojamento (11,7%).
