Segundo o relatório anual da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em 2020, os portugueses produziram mais resíduos, e grande parte destes foram para aterros, não cumprindo assim as metas estabelecidas para a reciclagem.
A Agência afirma que o não cumprimento dos objetivos, “em particular da meta de preparação para a reutilização e reciclagem, impõe a Portugal um esforço ainda maior para alcançar as novas e ambiciosas metas definidas pela Comissão Europeia na nova Diretiva Quadro dos Resíduos (DQR) recentemente transposta para legislação nacional”, pode ler-se no documento.
No relatório, a APA relembra que 2020 foi um ano atípico devido à pandemia e consequentes confinamentos, mas que apesar disso, foram produzidas 5,2 milhões de toneladas de lixo, valor semelhante ao de 2019, demonstrando assim que a pandemia não teve qualquer impacto na produção de resíduos. De acordo com a mesma fonte, em Portugal continental 41% dos resíduos foram para aterro, 21% para tratamento mecânico e biológico, 19% para valorização energética, 12% para valorização material, 5% para tratamento mecânico e 2% para valorização orgânica.
Em 2020, cada português produziu 512 quilos de resíduos, o que corresponde a 1,4 quilos por dia, valor acima da média europeia. As metas estabelecidas para 2020 estavam nos 410 quilos por habitante. Segundo o relatório, a redução em 35% dos resíduos urbanos biodegradáveis em aterro face aos valores de 1995, não foi cumprida, uma vez que foram depositadas 1.187.426 toneladas, valor substancialmente mais alto que as 788.452 toneladas definidas.
No que diz respeito à reutilização e reciclagem de resíduos urbanos, de acordo com uma diretiva europeia, em 2020 teria de haver uma taxa de reciclagem de 50%, mas foi de apenas 38%. Segundo a APA, o não cumprimento das metas de reciclagem justifica-se, em parte, pelas contingências relacionadas com a pandemia que levaram à diminuição da recolha seletiva e ao aumento de material reciclável na recolha indiferenciada.
“O potencial de reciclagem de material recolhido através da seletiva é muito superior ao da recolha através da indiferenciada, e só através do seu significativo aumento poderá o país cumprir metas e evoluir rumo a uma economia circular. Não só se verifica a necessidade de reforço de campanhas de sensibilização junto das populações, como a forma de comunicação junto das mesmas deverá ser eventualmente reequacionada”, conclui.
