A Plataforma Água Sustentável (PAS) é constituída pelas ONGs, “LPN” e “Quercus”, e ainda pelas associações “A Rocha Portugal”, “Almargem”, “CIVIS”, “Faro 1540”, “PROBAAL”, “Regenerarte”, e movimentos de cidadãos, “Água é Vida”, “FALA – Fórum do Ambiente do Litoral Alentejano” e “Glocal Faro”.
Num comunicado enviado à Imprensa, estas entidades revelaram que, na sua perspetiva, “as propostas para o alargamento do regadio não têm quaisquer dados de base que as suportem”, acrescentando que “não há informação sobre os recursos hídricos existentes e previsíveis, nem em quantidade, nem em qualidade, sobre os consumos estimados e sobre a área máxima que será possível regar, tendo em linha de conta os consumos previsíveis da atividade agrícola, a garantia de caudais ecológicos e a constituição de uma reserva estratégica que garanta no futuro água potável em quantidade e qualidade para o consumo humano”.
Já o estudo “Regadio 2030”, coordenado pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), explica que “as intervenções a realizar, no que diz respeito à implementação de novos regadios, passam sobretudo pela integração de regadios privados existentes, abastecidos por origens subterrâneas, em regadios coletivos abastecidos por origens de superfície, de modo a preservar os recursos hidrogeológicos, numa região particularmente suscetível à intrusão salina”.
A PAS afirma que a “intenção é boa: no entanto, peca por informação deficiente”, uma vez que “a intrusão salina de que se fala decorre da utilização de volumes excessivos de água subterrânea pela agricultura, mas essa é só uma parte dos danos que a atividade provoca nos aquíferos”, isto porque todos os aquíferos da região estão poluídos com contaminantes (fertilizantes e pesticidas de síntese) oriundos da atividade agrícola e as mobilizações de solos que a agricultura intensiva pratica, destroem os pontos de recarga dos aquíferos acrescentando ao problema da falta de pluviosidade, o problema da falta de recarga que se verifica na região já há vários anos”, esclareceu.
Além disso, as organizações não concordam com as intervenções previstas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), nomeadamente, a “proposta de implementação de origens de água, nos afluentes do Guadiana a jusante de Alqueva, para serviços de ecossistema – de modo aumentar a garantia de caudal ecológico no rio Guadiana, sobretudo no semestre seco de forma a diminuir a pressão sobre os volumes armazenados em Alqueva”. Segundo a fonte, a recusa desta proposta justifica-se pelo facto do Algarve já ter “capacidade instalada de captação de água em barragens. Acontece é que devido à escassez de pluviosidade essas barragens têm todas baixo nível de captação”, concluíram.
