27 Set 2021, 00:00 O Partido Socialista ganhou as eleições autárquicas ao obter 34,23% do total de votos nacionais contra 13,21% do PSD e 10,81% da coligação PSD/CDS. Das 308 câmaras municipais, o PS conquistou 149, entre as quais 125 foram maioria absoluta. Enquanto que a direita coligada obteve um total de 120 câmaras, entre as quais 109 foram maioria absoluta.
A cidade do Porto não deu a maioria absoluta a Rui Moreira (40,72%), como ele esperava, mas deu uma vitória “confortável” ao candidato independente, que acabou por receber o apoio da direita através da Iniciativa Liberal.
Mais a norte, Ricardo Rio (42,89%) consolidou a liderança no concelho de Braga ao renovar por mais um mandato. A coligação (PSD/CDSPPM/Aliança) obteve maioria absoluta pela terceira vez consecutiva.
Em Trás-os-Montes, Hernâni Dias (57,51%) conquistou Bragança também com uma maioria absoluta. “Foi uma vitória histórica, conseguimos o pleno ao nível das freguesias”, disse o social democrata aos jornalistas.
É uma proeza sem igual, contra todas as ´estrepolias`, ganhei.
Santana Lopes (40,39%), na Figueira da Foz e José Manuel Silva (43,92%), em Coimbra foram os grandes vencedores da direita, na zona centro. “É uma proeza sem igual, contra todas as ´estrepolias`, ganhei”, foi assim que Pedro Santana Lopes, “O Regressado”, comentou a sua vitória na Figueira da Foz.
Apesar de não ser um homem da terra, Santana Lopes volta como independente ao conselho que liderou há 24 anos pelo PSD e, deste modo, regressa à ribalta política. “Já estive em todos os lados, partidos grandes, pequenos e independentes, todos fazem falta à democracia”, disse o recém-eleito em reação aos que comentam que os independentes criam disrupção no eleitorado dos partidos.
Em Coimbra, as sondagens davam a vitória ao candidato socialista, no entanto, já se falava nas ruas que “uma mudança para a cidade, seria bem-vinda” e foi o que aconteceu. Manuel Machado (PS) cede a José Manuel Silva (coligação PSD). Entre vários mandatos, saídas e retornos, Manuel Machado (32,65%), tem estado à frente da cidade dos estudantes desde 1989. Muitos acreditam que o “marasmo” em que a cidade se encontra também se deve a isso.
Já o candidato José Manuel Silva (ex-bastonário da ordem dos médicos), que começou a corrida como independente e terminou coligado com quase todas as forças políticas da direita conimbricense (exceto o Chega), acredita que “Coimbra manifestou a sua vontade de mudança” que tanto precisa e para isso, a cidade acabou por lhe dar a maioria absoluta. Todos esperam que tire proveito desse resultado.
Em Viseu, Fernando Ruas está de regresso e obteve mais uma vitória clara para um concelho onde o PSD lidera há mais de 36 anos. “Seguramente, a partir de agora, o Governo vai-me ter à perna”, prometeu.
Mais a sul, Carlos Moedas foi a surpresa na capital. Assim que saíram as sondagens, a noite lisboeta ficou em suspenso até à contagem final perto das 3 horas da madrugada. A razão: “empate técnico” entre Medina e Moedas anunciado pelas televisões depois do fecho das urnas, conforme manda a lei, que este ano aconteceu às 20h (21h nos Açores).
A partir deste momento, deixa de haver país para os diretos dos três principais canais de televisão: Lisboa é o que interessa. Os comentadores de serviço focam-se neste município. A análise ganha, uma vez mais, dimensão legislativa e não autárquica. Aliás, foi esse o tom de conversa de todo o período eleitoral (para além dos casos “bazuca” e “Galp”), com os partidos a discutir lideranças internas em vez da discussão dos problemas locais. É como se das legislativas se tratasse.
Momentos antes da confirmação da derrota de Medina, António Costa, ainda em negação para uma eventual derrota em Lisboa, começa por dizer que “o PS venceu estas eleições”. Só depois de alguma insistência dos jornalistas é que Costa admitiria que uma “derrota em Lisboa” seria “penalizadora” para qualquer partido. “Uma tristeza particular se o PS não a mantiver”, disse, recordando os tempos em que ele a recuperou do PSD, em 2007.
Poucos minutos depois de terminar o discurso no Largo do Rato, o secretário-geral do PS (e não o primeiro-ministro, porque estava sem gravata) dirige-se para a sede de candidatura de Medina quando se dá a confirmação: Moedas conquista Lisboa com 34,26% dos votos. A noite para Fernando Medina (33,31%), terminava com o discurso de uma derrota “surpreendente” dizendo ser o único “e o principal responsável”. Medina despede-se da Câmara de Lisboa lembrando que as “sondagens não ganham eleições”.
Moedas o “ventilador” dos líderes da direita
Para Rui Rio, os resultados nestas autárquicas serviram-lhe de “ventilador” para se manter à frente do PSD. O mesmo terá sentido Francisco Rodrigues dos Santos que conquistou 6 câmaras a solo, mais as 31 coligadas com os laranjas.
“Definimos alguns objetivos para estas eleições (…), conseguimos alcançá-los todos”, foi assim que Rui Rio começou por congratular a “sua vitória” na noite eleitoral. “Tivemos mais votos em Lisboa, Porto, Amadora, Loures e Sintra”, disse com entusiasmo, embora destas concelhias, só tenha vencido Lisboa, e em coligação.
Rio falava comparativamente às últimas autárquicas, as de 2017, contrapondo, com algum alívio, a sua liderança com a do então Pedro Passos Coelho, deixando-lhe, agora, com alguma margem para respirar e se manter à frente dos laranjas. “Mais vereadores e mais presidentes de junta. Neste momento, ganhamos 31 presidentes e perdemos 15. Melhor que em 2017”, continuou, cheio de pujança.
Para Rui Rio, os resultados nestas autárquicas serviram-lhe de “ventilador” para se manter à frente do PSD. O mesmo terá sentido Francisco Rodrigues dos Santos que conquistou 6 câmaras a solo, mais as 31 coligadas com os laranjas.
Já na sede de candidatura de Carlos Moedas, os dois líderes da direita, escutavam com um sorriso nos olhos (as máscaras não deixavam ver os rostos) o “ventilador” Moedas que do alto do seu púlpito gritava “ganhámos contra tudo e contra todos” perante os apoiantes eufóricos que respondiam “Moedas, Moedas, Moedas”.
Esta é uma prova que “podemos mudar o sistema, porque a democracia não tem dono”, disse em reação às sondagens que ditavam a sua derrota. “As sondagens em Portugal falharam em toda a linha e isso é mau para a democracia”, acrescentou.
“Este novo ciclo começa em Lisboa, mas não acaba em Lisboa”, avisava o novo presidente da capital. Um recado para as legislativas? (…) “Lisboa, Lisboa, Lisboa”!

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