O Metro de Lisboa quer fazer “uma análise aprofundada” às condições estruturais dos edifícios na Madragoa e na Avenida D. Carlos, para a construção da linha circular. Contudo, os moradores e comerciantes terão de sair durante um período que pode ir até às cinco semanas, e que começa já no próximo dia 03 de janeiro, em plena semana de contenção de contactos implementada pelo Governo.
Segundo um comunicado do Metropolitano, das 33 frações que serão ocupadas, três proprietários já assinaram o acordo que lhes foi proposto e “20 já o aceitaram, aguardando-se a respetiva assinatura”, sendo que “só uma pessoa solicitou a intervenção do Metropolitano de Lisboa no sentido de encontrar alojamento alternativo, situação já solucionada”.
Quanto à data escolhida, a empresa explica que “para minimizar o incómodo” foi feito um “acerto nos prazos para que a desocupação das casas possa ser feita apenas após o período do Ano Novo”. Está ainda previsto um “montante total é de cerca de 125 mil euros” em indeminizações, um valor “apurado por um perito avaliador independente”.
“Não estamos perante uma expropriação, mas sim de uma ocupação temporária, estando previstas indemnizações a pagar pelo Metropolitano de Lisboa e que incluem, por exemplo, o alojamento em hotel ou alojamento local pelo período da ocupação, a diferença de custo para as refeições fora do domicílio, o tratamento da roupa fora do domicílio, as deslocações e a mudança e limpeza da habitação. Caso os interessados incorram, comprovadamente, noutras despesas derivadas da ocupação temporária o Metropolitano assumirá tais responsabilidades,” continuam.
De acordo com o Metro, trata-se de um processo “urgente” devido a tratarem-se de “edifícios centenários e anteriores aos regulamentos de edificação, pelo que não existe informação suficiente sobre a sua estrutura ou fundações e que foram alvo, ao longo dos tempos, de obras sucessivas no seu interior, o que originou alteração da estrutura” e poderá haver “necessidade de reforço das estruturas dos edifícios”.
Mas o aviso para os moradores só chegou nos primeiros dias de novembro, e revoltou a Assembleia Municipal.
Miguel Ferreira da Silva, da Iniciativa Liberal, lembra que “desde 2019 que o metro sabia que podia ter de intervir”. Acusando a entidade de fazer prospeções técnicas “só em vésperas de eleições autárquicas”. “Estes dois anos perdidos teriam sido muito mais úteis para planear a melhor forma, ou a forma menos gravosa, de fazer estas obras”, acrescentou.
Cláudia Madeira, de Os Verdes, fala num “processo mal conduzido” com “falta de sensibilidade” e de “informação”, salientando que o comunicado, “com tentativas de explicação”, inclui informações que “não parecem ser coincidentes com a informação avançada, de início, aos moradores, nem resolve o problema da data”.
