A partir de março de 2022, os cuidados de saúde primários do distrito de Évora vão poder receitar cultura aos seus utentes. Graças a um projeto da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), em colaboração com o setor da saúde, “que pretende experimentar processos de prescrição cultural, complementares à prescrição médica convencional e ao apoio social” contribuindo “para a saúde e bem-estar através de atividades com base nos recursos disponíveis na comunidade, que podem apoiar o processo de recuperação e integração das populações”, anuncia a CIMAC.
O Transforma trabalha “uma abordagem diferenciadora na forma como a cultura pode ser geradora de coesão e inclusão social, de crescimento económico, de práticas ambientais sustentáveis, numa lógica de cidadania participativa e de proximidade territorial”, continuam.
Nesse sentido, explica Ana Isa Coelho, da CIMAC, ao jornal Digital, “queremos trabalhar com os cuidados de saúde primários para que os médicos saibam que existe uma série de iniciativas” culturais “que podem prescrever, literalmente, aos seus utentes”, disse.
O objetivo é irem “ao teatro como quem toma um Prozac”, acrescentou. Assim, a CIMAC vai trabalhar com médicos e psicólogos para que receita “aos utentes que sofrem de alguma patologia, não apenas doença mental” atividades culturais benéficas para o seu bem-estar. Por exemplo, argumenta Ana Isa Coelho, no caso de “doentes a recuperar de AVC ou com problemas respiratórios, cantar é fundamental”.
“Pensamos que isto também pode suportar estes cuidados de saúde primários a terem alternativas, porque, de facto, o Prozac não resolve tudo. Ajuda, mas há toda uma componente social e de reabilitação pessoal a que achamos que a cultura pode dar resposta”, concluiu em declarações ao jornal regional.
A CIMAC lembrou ainda, em comunicado, que “num momento em que Évora prepara uma candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027, agregando nos seus objetivos o desenvolvimento integrado de toda a sub-região, o Transforma é uma oportunidade única para promover um acesso generalizado à cultura, capacitando agentes e organizações locais para que também acompanhem uma crescente integração de novos públicos nas respetivas programações assim como para promover a experimentação e a inovação, gerar conhecimento e modelos demonstrativos, replicáveis em contextos semelhantes”.
