INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMBATE FALTA DE ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTES
A Universidade de Coimbra está a combater a falta de órgãos para transplantes renais através da Inteligência Artificial.
Maria João Silva
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1 de Março 2022, 10:00
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A Universidade de Coimbra (UC) explicou, através de um comunicado enviado ao EuroRegião, que cerca de metade dos “rins provenientes de dadores falecidos são rejeitados para transplante, porque os métodos atuais de classificação de biopsias renais, um meio essencial para o médico decidir se o órgão doado pode ou não ser utilizado, são subjetivos e propensos a erros de avaliação”, pode ler-se no documento. 

Para dar resposta ao problema, os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e os médicos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) estão a desenvolver, em parceria com a Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos da América, “um algoritmo inteligente que permita auxiliar os médicos especialistas na complexa tarefa de avaliar as biopsias renais de dadores falecidos no momento da colheita, o designado tempo-zero”, pode ler-se no documento. 

Além disso, o estabelecimento de Ensino Superior referiu ainda que “a biopsia fornece informação essencial para a avaliação da qualidade do órgão, se reúne ou não condições para ser implantado no recetor”, mas “os atuais métodos de classificação das biopsias renais são visuais, semiquantitativos e, por vezes, imprecisos”. 

Segundo Luís Rodrigues, investigador principal do projeto, “a melhor opção terapêutica para tratar doentes com insuficiência renal muito grave, dependentes de hemodiálise, é o transplante”, mas acrescenta que “em Portugal, a taxa de incidência de doença renal terminal tratada é uma das maiores da Europa e a lista de espera para transplante aumenta todos os anos”, pelo que é “urgente desenvolver ferramentas que permitam aumentar o número de órgãos disponíveis para transplante e otimizar a sua alocação, melhorando, assim, a sobrevida e qualidade de vida dos recetores dos órgãos”, defende. 

De acordo com a mesma fonte, o algoritmo desenvolvido no âmbito na investigação vai “aumentar a eficácia e precisão da caracterização morfológica dos rins doados” e “melhorar a  alocação dos órgãos, com correspondência de longevidade entre dador e recetor”, explicou. 

O médico prevê que “entre 10 e 25% dos órgãos que atualmente são rejeitados poderão ser aproveitados” se o desenvolvimento de um novo meio de diagnóstico, baseado em inteligência artificial, que permita uma abordagem robusta e sistemática de análise de biopsias renais, for bem-sucedido. 

O projeto decorre na Unidade de Transplante Renal do CHUC, com a colaboração dos serviços de Nefrologia, de Urologia e Transplantação Renal, e de Anatomia Patológica. 

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