José Gusmão, do Bloco de Esquerda, reagiu ao discurso do Estado da União proferido por Ursula von der Leyen e considera que o mesmo “teve coisas positivas, desde logo o anúncio de medidas que ainda não estão apresentadas para a tributação de lucros extraordinários e para o controlo de preços, nomeadamente no gás”, mencionou.
Na visão do político, o discurso ficou marcado por um momento insólito: “Registamos já o momento insólito que é ter uma presidente da Comissão Europeia proposta pela direita alemã a colocar-se léguas à esquerda de um primeiro-ministro socialista, o nosso”, disse.
Relativamente ao Executivo liderado por António Costa, José Gusmão espera “que o Governo português, já que não defendeu [esta medida] em Portugal, como fizeram muitos outros Estados-membros, com governos das mais variadas orientações […], pelo menos não obstaculize a aprovação destas medidas, nomeadamente no Conselho Europeu”, acrescentando que “se [o Governo] eve a coragem nem o sentido de justiça de aplicar essas medidas em Portugal, que pelo menos não obstaculize a sua aprovação à escala europeia”.
O Eurodeputado também criticou o facto de Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia ter anunciado o regresso do Pacto de Estabilidade e Crescimento sem fazer qualquer referência “à reformulação das regras de governação económica que está em debate nas várias instituições europeias”, explicou.
Vale a pena recordar que a presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que os lucros extraordinários das empresas do setor do petróleo, gás, carvão e refinarias devem “ser canalizados para os que mais precisam”, propondo uma contribuição solidária e uma taxação aos lucros extraordinários, cujo objetivo seria obrigar os “produtores de eletricidade a partir de combustíveis fósseis a dar uma contribuição para a crise”, fazendo com que esta taxa obtenha verbas para apoios sociais, esclareceu a líder.
