"HAVERIA UM PAÍS COMPLETAMENTE DIFERENTE SEM FUNDOS"
O painel de especialistas da Mesa Redonda “Como aproveitar fundos europeus”, na segunda EuroRegião Talk, reagiu aos resultados do estudo realizado pela Universidade Nova SBE, a pedido do EuroRegião.
Redação
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12 de Maio 2022, 13:00
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“Sem fundos europeus, Portugal divergia da União Europeia e as regiões dentro de Portugal também divergiriam entre sim. Por um lado, há o ponto positivo dos fundos estruturais e das políticas da Comissão Europeia serem bastante relevantes. Mas, temos o ponto negativo que o nosso país recebe fundos há 30 ou 35 anos e já devia estar num estado de desenvolvimento que necessitasse de menos fundos europeus,” começou por afirmar João Duarte, publisher do jornal EuroRegião.

Já Jorge Gaspar, da AIP Consulting, destacou a importância dos fundos enquanto “instrumento de integração das economias”, mas “para que isso aconteça, é naturalmente necessário que o pais, e as suas regiões, subam a sua riqueza para poderem competir no mercado”, lembra.

“Há um pais com fundos e haveria um outro país completamente diferente sem fundos. [Estes apoios] são uma mola importante do ponto de vista do investimento, e do globo de economia,” conclui.

Para Rui Almeida, técnico da Associação Empresarial da Região de Viseu, “o estudo veio confirmar aquilo que já é a visão que vamos tendo dos empresários, de que vale a pena concorrer aos incentivos porque, de facto, bem utilizados trazem aqui um retorno elevado para aquilo que é a expetativa. Veio trazer aqui mais um trunfo, que tem a ver com a captação de investimento, porque aqui as empresas, sabendo que existe uma oportunidade de grande retorno, podem utilizar isto como sendo um trunfo para localizar a empresa e causar estabilidade” e essa “estabilidade depois cria aqui à volta uma nova série de investimentos e de oportunidades”, argumenta.

Por último, o advogado Pedro Botelho Gomes destacou o sentimento de preocupação dos portugueses relativamente à dependência dos apoios da Europa.

“Este estudo mostra-nos, com consistência técnica e científica, algumas coisas que quase que nós intuíamos do senso comum. Todos percebemos que o país está dependente dos fundos, que vivemos muito dos fundos, e que sem eles estaríamos a passar mal. E, são muitos anos de fundos injetados em Portugal, e a situação não se inverte. Isto parece-me altamente preocupante. Nomeadamente, numa fase em que os fundos vão chegar em grande volume e temos novamente esta sensação de não sabermos se estamos a dar um passo largo no caminho em frente, ou se estamos a caminhar para o abismo e estamos aqui numa bolha de ficção da qualidade de vida que temos em Portugal. O sentimento de preocupação é transversal a quase todos os portugueses,” lamentou.

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