Diminuir as emissões de CO2 implica a redução do número de carros em circulação.
Segundo dados da Associação Zero – Sistema Terrestre Sustentável, as cidades são em larga maioria responsáveis pela crise climática, representando mais de 60% das emissões de gases com efeito de estufa.
A ZERO reuniu todas as propostas sobre mobilidade para a Câmara de Lisboa que, na sua maioria, admitem restringir o acesso de carros a determinadas zonas da cidade, mas, para que isso aconteça, terão de fomentar a mobilidade elétrica e melhorar os transportes públicos.
Implementação de “Zonas Zero Emissões”
“No período pré-pandemia, nas áreas centrais de Lisboa e Porto, as concentrações de dióxido de azoto, um dos poluentes associados ao tráfego rodoviário e com importantes consequências para a saúde, estavam acima do valor-limite anual fixado na legislação”, explica o relatório da ZERO.
Os dados provisórios para 2021, até 17/09 (inclusive), indicam que: “Lisboa apresenta valores elevados, mas abaixo do limite, na estação da Avenida da Liberdade, local que regista habitualmente valores mais elevados”. No entanto, a associação não tem dúvidas, “com o fim do confinamento e com três meses ainda pela frente, é provável que a concentração média anual venha, no futuro, a voltar a ultrapassar os limites legais.”
As Zonas de Zero Emissões são áreas onde apenas são permitidos veículos com emissões zero. Praticamente todas as propostas para a Câmara de Lisboa incluem a implementação destas áreas, divergindo apenas no processo para a concretização. Enquanto alguns querem fechar o centro da cidade ao trânsito, o mais rápido possível, outros sugerem uma transição gradual e até “ouvir as populações” para averiguar em que zonas se deve limitar a circulação automóvel.
A ZERO defende que o caminho tem de ser preparado desde já. “Começando nos centros históricos e alargando-as às zonas mais periféricas, em períodos de tempo limitados, como aos domingos e feriados (sempre com justificadas exceções, como é o caso de pessoas com mobilidade reduzida)”, diz a associação.
Transporte Público
Para diminuir o número de carros em circulação, as cidades vão precisar de oferecer novas opções de mobilidade. Para isso, “é imprescindível a melhoria, interação e complementaridade de serviços de transporte público, alargando a oferta mesmo fora das horas de ponta, e criando serviços de transporte público a pedido (transporte on-demand); um exemplo: através de pequenos autocarros que apanhem e larguem passageiros nos locais e horas que lhes são convenientes, recorrendo para o efeito a uma aplicação para telemóvel”, recomendam.
No que toca aos transportes públicos de Lisboa, quase todas as propostas falam em “expansão” e “aumento da frequência”. Mas, a ZERO vai mais longe, e sugere a articulação entre autarquias e empresas para criar “planos de mobilidade adaptados a cada caso”, de forma a evitar que os funcionários sejam dependentes dos seus veículos pessoais.
Mobilidade elétrica
A existência de uma infraestrutura de carregamento bem distribuída e densa é uma prioridade, mas há menos propostas para este campo. Os projetos nesta área reconhecem todos a necessidade de aumentar a rede postos de carregamento.
Mas a ZERO sugere mais do que isso:
- A instalação de uma rede de carregamento nos locais de trabalho e praças de táxis;
- a criação de um “conjunto de incentivos” fiscais ou de subsídios para a adoção de veículos elétricos por parte dos particulares, dos operadores de transporte público coletivo e das empresas de transporte individual de passageiros (táxis ou TVDE) e de distribuição de mercadorias;
- incentivos à eletrificação das frotas de táxis e à descarbonização das frotas de logística urbana;
- isenção ou redução acentuada das tarifas de estacionamento;
- promoção os sistemas de veículos elétricos partilhados, integrados com o sistema de transporte público.;
