CE: PORTUGAL COM CRESCIMENTO DE 5,5% EM 2022
A Comissão Europeia prevê, ainda, um crescimento de 4% para toda a zona euro nas Previsões de Inverno anunciadas nesta manhã de quinta-feira.
Manuel Ribeiro
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10 de Fevereiro 2022, 17:02
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As Previsões Económicas de Inverno da Comissão Europeia para 2022 projetam um crescimento de 4% na economia da União Europeia e 2,8% para 2023. A expansão económica em 2021 foi de 5,3%.

A UE atingiu o seu nível de PIB pré-pandémico no terceiro trimestre de 2021 e prevê-se que todos os Estados-Membros ultrapassem este marco até ao final de 2022. Será o caso de Portugal onde Bruxelas “estima um crescimento de 5%”, valor acima de media europeia.

A economia em Portugal cresceu 4,9% em 2021, recuperando ligeiramente acima de metade do nível perdido em 2020, quando o PIB caiu 8,4% devido ao surto da pandemia COVID-19.

O consumo das famílias em Portugal recuperou a um ritmo mais lento devido às inúmeras restrições que ocorreram na maior parte do ano. Contudo, as exportações aumentaram substancialmente no segundo semestre do ano, apesar de permanecerem bem abaixo dos níveis registados em períodos de pré-pandemia. Também abaixo, esteve o setor do turismo devido às limitações das viagens internacionais.

O ressurgimento das infeções por COVID-19 no início de 2022, bem como uma nova queda em viagens internacionais, deverá desacelerar o crescimento económico em Portugal para 0,5% no primeiro trimestre de 2022.

No entanto, assumindo a melhoria das condições de pandemia, Bruxelas projeta que o crescimento em Portugal recupere no segundo trimestre, altura que a economia deverá atingir o seu nível pré-pandémico. Assim, em termos anuais, prevê-se um crescimento de 5,5% em 2022 e de 2,6% em 2023, esperando-se que a procura interna contribua substancialmente para o crescimento em ambos os anos, em muito ajudada pela implementação do Plano de Recuperação e Resiliência.

Paolo Gentiloni, comissário da Economia, em conferência de Imprensa (10.02.2022). Jennifer Jacquemart/European Union

Incerteza e riscos permanecem elevados

Embora o impacto da pandemia na atividade económica tenha diminuído ao longo do tempo, as medidas de contenção em curso e a escassez prolongada de pessoal poderão arrastar a atividade económica. “O aumento significativo da inflação e dos preços da energia, juntamente com os estrangulamentos da cadeia de abastecimento e do mercado de trabalho, estão a travar o crescimento”, disse Valdis Dombrovskis, Vice-Presidente Executivo da Comissão Europeia.

A redução do funcionamento das cadeias de distribuição (se paradas por tempos prolongados) leva ao estrangulamento da oferta de produtos e matérias-primas. Em contrapartida, se a procura desacelerar, a curto prazo, pode ajudar a resolver esses estrangulamentos mais rapidamente do que o previsto. É o que espera Dombrovskis, e assim “voltar a mudar [o ritmo] para a alta velocidade no final deste ano, com alguns desses estrangulamentos a desacelerar”, disse. “Os fundamentos da UE continuam fortes e serão reforçados à medida que os países começarem a pôr em prática os seus Planos de Recuperação e Resiliência”, adianta.

Paolo Gentiloni, por seu turno, reconheceu ser “provável que as pressões sobre os preços permaneçam fortes até ao verão, após o que se projeta que a inflação diminua à medida que o crescimento dos preços dos produtos energéticos moderem e que os estrangulamentos da oferta se atenuem. No entanto, a incerteza e os riscos permanecem elevados”, alerta o comissário da Economia, em conferência de imprensa proferida esta quinta-feira (10.02).

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