CÂMARA DE LISBOA CONTRA PLANOS PARA O METRO, MAS GOVERNO NÃO RECUA
A discórdia prende-se com a construção da Linha circular para ligar o Rato ao Cais do Sodré. A autarquia propõe outros planos, previstos pelo Governo, mas só depois da conclusão desta empreitada.
Redação
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22 de Novembro 2021, 19:30
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A Câmara de Lisboa aprovou a moção de João Ferreira e Ana Jara, vereadores do Partido Comunista, para a “suspensão de todo o processo relativo à construção da Linha Circular” do Metro de Lisboa, com os votos a favor do PSD, CDS, PCP e BE.

Os planos para o metro, que receberam mais de 80 milhões de euros de Bruxelas, previam a construção de uma linha circular para ligar o Rato ao Cais do Sodré, com a abertura de duas novas estações no coração da cidade – Estrela e Santos. Agora, estão adjudicadas as obras da ligação do Rato a Santos e do troço entre a estação de Santos ao Cais do Sodré, continuando apenas os trabalhos para a construção da estação da Estrela.

Os vereadores comunistas discordam do projeto escolhido para a expansão do metro e consideram que seria mais vantajoso investir no prolongamento a linha até Alcântara e à zona ocidental; na criação de uma ligação a Loures através da Linha Amarela; e extensão da atual Linha Verde de Telheiras até Benfica. Por esse motivo, notam a necessidade de “identificar as prioridades que devem ser estabelecidas para a rede do Metro, reavaliando o impacto da suspensão imediata das obras da Linha Circular, refazendo projetos e fazendo os estudos de impacto financeiro”.

Carlos Moedas, o novo presidente da Câmara de Lisboa, partilhou a sua opinião sobre o tema nas redes sociais, afirmando que “a linha circular do Metro é mais uma imposição de Fernando Medina e do PS. Um investimento de cerca de 210M€ contra a vontade da maioria dos lisboetas e dos restantes partidos. Com esta imposição voltou-se a adiar a chegada do Metro a Alcântara e toda a zona ocidental. A interrupção da linha amarela no Campo Grande vai prejudicar todos os que trabalham e residem no Lumiar, Santa Clara e zona norte da área metropolitana”, pode ler-se.

Apesar da decisão da autarquia, a última palavra será do poder central mas, segundo João Ferreira em declarações ao Expresso, a moção “é de alguma forma simbólica” para aproveitar uma das “primeiras oportunidades pós-eleições” para recuperar o tema. “É uma tomada de posição que se impõe pelo curso dos acontecimentos: quanto mais avançar o projeto, menos pode resultar dessa reavaliação de opções”, destacou.

Na verdade, as reivindicações do PCP para o Metro de Lisboa já estão previstas no plano do Governo, mas não são a prioridade e só deverão avançar depois da conclusão da linha circular.

De acordo com o projeto do Governo, para o qual já conseguiu financiamento comunitário, o Metro de Lisboa vai chegar até Alcântara através do prolongamento da Linha Vermelha; o crescimento da Linha até Loures será feito através de uma solução à superfície a partir da estação de metro de Odivelas; e o LIOS – Linha Intermodal Sustentável será um metro ligeiro de superfície que vai permitir a ligação à zona ocidental;

João Pedro Matos Fernandes, Ministro do Ambiente e da Ação Climática, confirmou ao Observador que o Governo não vai recuar por a Linha Circular ser “aquela que melhor serve a mobilidade na cidade de Lisboa e na Área Metropolitana de Lisboa; por andarmos há muito tempo de estudo em estudo para o poder comprovar; por termos uma obra em curso, uma outra obra a uma semana de ser consignada e a outra a ser consignada, certamente, a ser consignada até ao final do ano; e por o projeto ter sido financiado por fundos comunitários”.

“Esta obra está decidida, está financiada, eu nunca serei o responsável por fazer o disparate que seria parar esta obra”, acrescentou.

O principal argumento do Executivo em defesa da linha é aos comboios, barcos, autocarros e metro no Cais do Sodré, onde chegam diariamente milhares de pessoas provenientes de várias partes da Área Metropolitana de Lisboa.

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