AUTARQUIAS COM AUTONOMIA FINANCEIRA USARAM MAIS O FACEBOOK NA QUARENTENA
Estudo da Universidade de Coimbra conclui que as autarquias com maior autonomia financeira foram as que mais usaram o Facebook durante a primeira vaga de COVID-19.
Redação
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19 de Outubro 2021, 13:07
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Um estudo do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), da Universidade de Coimbra (UC) analisou a comunicação dos municípios portugueses no Facebook durante a primeira vaga da pandemia de Covid-19, concluído que as autarquias com maior autonomia financeira foram as que mais comunicaram durante este período.

Segundo o estudo, outros dos fatores que contribuíam para o que os municípios adotassem uma comunicação mais ativa foram a evolução das taxas de infeção e as características sociodemográficas locais.

As conclusões foram apuradas através do estudo de 100 mil “posts” das páginas oficiais de Facebook de 304 câmaras municipais – 4 municípios portugueses não têm página nesta rede social –, entre março e julho de 2020. Os dados obtidos foram posteriormente integrados numa extensa base de dados (que abrangia dados territoriais, sociodemográficos, políticos e institucionais), cartografados e analisados através de métodos estatísticos, as designadas análises de regressão.

Miguel Padeiro, investigador do CEGOT e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), explica que durante a pandemia “era necessário divulgar as medidas de confinamento, mas também providenciar conselhos de higiene, alertar para diversos riscos, dar conta da situação epidemiológica, e publicitar os diversos apoios que as câmaras implementavam (compras, medicamentos, apoio social, psicológico, financeiro)”, por isso, os investigadores da UC procuraram perceber que fatores levavam alguns municípios a “comunicar muito intensamente e outros a comunicar menos”.

Segundo o mesmo, os resultados mostram uma “variabilidade temporal”, com um “forte aumento das comunicações na altura em que a pandemia se instalava, uma fase mais estável e depois uma tendência para a diminuição a partir de junho”.

“Por outro lado, a característica da população influenciou um aumento da comunicação na fase de forte progressão do vírus, provavelmente porque as vulnerabilidades sociais requeriam um maior cuidado e uma maior comunicação”, continua.

Para o professor da UC os resultados são importantes para “a definição de estratégias de comunicação para as crises de saúde pública”, conhecendo os fatores para uma “maior e melhor comunicação”. Destacando que a “disponibilização de recursos financeiros para a realização de tais estratégias e para a redução da exclusão digital em todos os municípios portugueses pode contribuir para uma divulgação mais eficaz”.

O próximo passo será a análise dos conteúdos das partilhas realizadas no Facebook pelas autarquias, “que poderão revelar padrões interessantes diretamente ligados com a evolução geográfica do vírus e com outras variáveis”, termina Miguel Padeiro.

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