AQUACULTURA NA MADEIRA JÁ VALE 6 MILHÕES DE EUROS ANUAIS
A Região Autónoma da Madeira produz cerca de 1 200 toneladas de peixe, por ano, em aquacultura.
Redação
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7 de Outubro 2021, 10:28
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Termina hoje (07/10) o Aquaculture Europe 21 a decorrer no Funchal. Este que é o maior evento científico e técnico da Europa dedicado à indústria da aquacultura, seguiu o lema “Por uma aquicultura inovadora e sustentável”.

A aquacultura trata-se da a criação de organismos aquáticos que aplica técnicas concebidas para aumentar a produção, além das capacidades naturais do meio. Há vários anos que a Madeira aposta na aquacultura e, o Centro de Investigação da Calheta “é dos mais avançados da Europa” nesta área, afirma Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, lembrando que este “foi um projeto pioneiro, que começou em meados dos anos 90 e ganhou prestígio pelos estudos e investigação que desenvolveu”.

Durante a conferência de abertura do evento, o Presidente do GRM, defendeu o aumento da produção da aquacultura. Segundo o governante, a Madeira produz 1.200 toneladas de peixe em aquacultura por ano, o que representa um valor na ordem dos 6 milhões de euros.

Miguel Albuquerque destaca o potencial económico da indústria que “tem crescido em média 6% ao ano em todo o mundo e vai continuar a subir”, e a sua utilização como alternativa sustentável à pesca selvagem. “Hoje em dia a aquacultura é feita, e vai continuar a ser, no sentido de preservar os ecossistemas marítimos, de garantir toda a sustentabilidade ambiental e obviamente também estética (…) a aquacultura ser vista não como elemento predatório da natureza e do ambiente, mas como forma de preservar, no futuro, os ecossistemas marítimos (..) A pesca selvagem, sobretudo a disfuncional, que é levada a efeito nos oceanos, é que tem trazido danos substanciais aos ecossistemas marítimos”, disse.

No entanto, o evento foi também marcado pelas críticas e manifestações de alguns cidadãos. A Plataforma AZIA, um grupo de residentes na orla costeira madeirense contra a aquacultura na ilha, emitiu um comunicado para “relembrar os promotores, investidores, cientistas e demais pessoas envolvidas, que a população local onde esta indústria é instalada deve ser envolvida em todo o processo, para que se evite conflitos de interesse”.

“Esta indústria, nos moldes em que está a ser levada a cabo, é invasora do espaço oceânico natural e autêntico, entrando em conflito com os ecossistemas marinhos e a paisagem natural da nossa amada ilha da Madeira”, dizem ainda.

O EuroRegião contactou o grupo Plataforma AZIA mas não obteve resposta até ao momento de publicação deste artigo.

Miguel Albuquerque respondeu aos manifestantes destacando a necessidade de as pessoas “estarem informadas”. “O processo está suspenso. Vamos fazer um trabalho pedagógico e vamos avançar depois com esclarecimentos junto da população. Não vamos avançar contra ninguém”, garantiu.

O Presidente do GRM reconheceu ser impossível espalhar as estruturas de produção em aquacultura por toda a orla costeira devido à necessidade de conciliar com outras atividades. Mas apresentou uma solução para o problema estético. “No futuro, está a ser estudada a possibilidade de a aquacultura ser desenvolvida com estruturas submersas, por causa do impacto visual”, revelou.

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