O compromisso com o meio ambiente, crescente nos diferentes setores económicos, também já chegou à indústria da construção. De facto, cada vez mais as empresas de construção apostam na sustentabilidade, implementando sistemas a favor da eficiência energética e das energias limpas nas novas construções. Além disso, as exigências dos potenciais compradores, derivadas de uma maior consciência ecológica, são cada vez maiores, o que obriga a responder de acordo com essas exigências nas novas construções.
Evoluir para a redução do consumo de energia é uma questão ambiental que implica reinventar os padrões de consumo, uma vez que os recursos não renováveis não são ilimitados. Mas ao mesmo tempo, e segundo a Selectra, uma empresa de comparação de tarifas de água e energia e telecomunicações em Portugal, é também uma questão económica, já que os preços da energia estão cada vez mais altos, e a maioria da população não tem condições de manter o gasto energético de outros tempos.
Tendo em conta que cerca de 75% dos edifícios na Europa são ineficientes do ponto de vista energético, a descarbonização do parque imobiliário é um dos objetivos a longo prazo da UE. Neste sentido, a diretiva (UE) 2018/844 constitui um elemento importante para tornar os edifícios mais eficientes, tendo em conta as diversas condições climatéricas e particularidades locais.
O que se conhece como edifícios com consumo energético “quase zero” são aqueles que apresentam um nível de eficiência energética muito alto. Nesses edifícios, os baixos níveis de energia necessários, devem ser cobertos, em grande escala, pelas fontes renováveis, incluindo as que são produzidas no local e ambiente.
Aposta Europeia
A referida directriz visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e outras substâncias contaminantes dos edifícios, definindo assim, o caminho para a sustentabilidade. Para tal, pretende acelerar a renovação economicamente rentável das construções existentes e a promoção de tecnologias inteligentes nos edifícios.
Com a sua entrada em vigor, é exigido que todas as novas obras passem a ter consumo de energia quase zero ou NZEB, como foi chamado pela sigla em inglês (Nearly Zero Energy Buildings).
Energia primária
Esta normativa europeia afeta todos os novos edifícios de construção e centra-se na energia primária que consomem os edifícios. Ou seja, o consumo de energia dos sistemas de ar condicionado – incluindo aquecimento, refrigeração e ventilação dos espaços -, iluminação e água quente sanitária. Desta forma, representa um impulso prático para novas tecnologias e sistemas que ajudam a reduzir o consumo de energia primária.
Para atingir o consumo quase zero, os novos sistemas de ar condicionado, autogeração de energia e arquitetura bioclimática são grandes aliados. Graças a estes, é possível reduzir o impacto ambiental de novas obras e uma poupança substancial nas contas de fornecimento de energia. De facto, de acordo com os dados obtidos, a água quente, o aquecimento e o ar condicionado podem representar até 70% da energia consumida de uma casa.
Sistemas inteligentes
Os novos sistemas inteligentes de climatização, aquecimento e ar condicionado instalados nos edifícios de obra podem ajudar a melhorar os consumos, limitando e programando automaticamente a sua utilização, para que apenas permaneçam ativos quando forem realmente necessários. Além dos sistemas de ar condicionado clássicos, o surgimento de novas tecnologias, como os recuperadores de calor, ajudam a multiplicar os níveis de eficiência energética. Esses dispositivos permitem que os edifícios sejam ventilados sem quase nenhuma perda de calor devido à renovação do ar.
Além de reduzir o consumo, a autogeração de energia através de sistemas instalados nos novos edifícios pode ajudar a equilibrar o consumo a favor da poupança. Um bom exemplo disso são os painéis solares, sejam fotovoltaicos, térmicos ou termodinâmicos, que podem fornecer a energia necessária para tornar uma casa mais sustentável.
A energia aerotérmica, especificamente, pode ajudar a poupar até 78% de energia. Este sistema, através de uma bomba de calor, consegue aproveitar a energia do ar exterior e recuperá-la para ser utilizada como aquecimento, água quente ou ar condicionado.
Algo mais à frente é oferecido pela designada arquitetura bioclimática aplicada nas novas obras, pois com esta, a eficiência energética começa no projeto inicial das casas. Com base na construção de edifícios que incorporam uma perspetiva climática desde a sua conceção, aproveita-se o sol, a chuva, a vegetação e o vento para reduzir o impacto ambiental das habitações e melhorar a sua eficiência energética. Por isso, tem em conta os fatores como a orientação da casa. Se bem que a poupança de energia também é reforçada igualmente protegendo edifício dos ventos invernais ou aproveitando a sombra das árvores à volta do edifício.
Com estes três sistemas, as casas do futuro já são uma realidade nos dias de hoje. Com a sua implementação nas novas obras, além de atender às normas europeias e reduzir custos económicos, o meio ambiente também respira de alívio. Por outro lado, os edifícios existentes submetidos a grandes renovações devem melhorar a sua eficiência energética para cumprir os requisitos exigidos.
