REDUÇÃO DE EMBALAGENS DESCARTÁVEIS DEVE SER PRIORIDADE
A associação ZERO defende que a redução de embalagens descartáveis no mercado, até por setor e por unidade deve ser uma das prioridades do Governo português.
Maria João Silva
Texto
17 de Junho 2022, 17:00
summary_large_image

A proposta lançada pela associação ambientalista ZERO, pretende ajudar as pessoas a viver com menos plástico.

Além de definir limites à quantidade de embalagens descartáveis, como a redução em 50% embalagens de produtos de higiene, para refeições e para bebidas até 2030, era também importante na visão da associação definir metas de reutilização genéricas e/ou específicas para cada setor.

Para atingir esse objetivo, a ZERO sugere que sejam lançados incentivos económicos, garantindo que uma parte do ecovalor pago pelas marcas quando colocam uma embalagem no mercado seja canalizado para financiar a infraestrutura necessária para os sistemas reutilizáveis. “A introdução de taxas sobre as embalagens descartáveis pode ser também uma fonte de verbas para investir e incentivar os sistemas de reutilização”, pode ler-se no comunicado lançado pela Associação.

Além disso, a mesma entidade propõe a fomentação de soluções reutilizáveis nos setores da hotelaria e restauração, de forma a que estes negócios disponibilizem embalagens de bebida reutilizáveis aos consumidores. “A reutilização é uma solução mais sustentável, mas, para atingir o seu potencial, implica planeamento conjunto e uma intervenção ao nível da infraestrutura do sistema (locais de recolha das embalagens, logística de retorno, instalações de lavagem, redistribuição, sistemas de seguimento das embalagens, incentivos ao retorno)”, propõe a Zero no comunicado, explicando que as propostas partiram das conclusões de um estudo recente da “Zero Waste Europe”, uma rede europeia que trabalha para a eliminação de resíduos.

No mesmo documento, a associação relembra que Portugal estabeleceu que entre 2012 e 2020 iria reduzir a produção de resíduos urbanos em 10%, que daria uma produção de cerca de 410 quilos de resíduos por pessoa em 2020. Em 2019 cada pessoa produzia 513, o que dá 103 quilos mais do que o previsto. “Se não queremos chegar a 2030 com o mesmo cenário de 2020, é urgente agir para reduzir o uso de embalagens descartáveis”.

Em 2030, 30% das embalagens usadas em Portugal terão de ser reutilizáveis. A partir de janeiro do próximo ano os restaurantes terão de disponibilizar as bebidas em embalagens reutilizáveis, para consumo no local, sempre que existam no mercado, e os retalhistas terão de disponibilizar as bebidas que comercializam também em embalagem reutilizável, sempre que exista oferta no mercado. Além desta medida, em 2024, todos os restaurantes com serviço take-away terão que oferecer opções reutilizáveis para o transporte das refeições.

  Comentários