GUIMARÃES AVALIA POSSIBILIDADE DE LIGAR A CIDADE POR TELEFÉRICO
A taxa de acidentes zero, a energia limpa e renovável e a vida útil do sistema foram algumas das vantagens apontadas pelo caso da Bolívia.
Isabel Vilhena
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13 de Junho 2022, 11:06
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Instalar uma rede de teleféricos para ligar a cidade de Guimarães é uma das possibilidades que a autarquia está a analisar com o objetivo de melhorar a mobilidade da cidade.

Inspirada no exemplo da Bolívia, a câmara de Guimarães convidou César Dockweiler Suárez, CEO da empresa estatal “Mi Teleférico”, para falar da experiência das cidades de La Paz e El Alto, na Bolívia, como alternativa para a mobilidade urbana.

Domingos Bragança, presidente da câmara de Guimarães , apontou a “mobilidade urbana como o grande desafio para o futuro”. Outro dos grandes compromissos que Domingos Bragança destacou é o da sustentabilidade ambiental, uma vez que a mobilidade é uma das áreas que mais contribui para a emissão de gases com efeito estufa. “O sistema que aqui vamos analisar é movido a energia elétrica. Somos uma cidade histórica e classificada, não podemos alargar as ruas e os teleféricos poderão constituir uma boa solução para a mobilidade urbana, em alguns casos particulares. No nosso caso concreto, pergunta-se da possibilidade de um sistema como este poder servir o perímetro citadino, ou mesmo ligar a cidade até outros pontos mais exteriores”, disse.

Domingos Bragança referiu ainda o investimento avultado que uma solução destas representa, mas salientou a possibilidade que Guimarães tem de se candidatar a fundos europeus destinados às 100 cidades que constituem a “Missão Cidades” da União Europeia, com vista à neutralidade climática, e que poderão ser fundamentais, juntamente com o PRR e com o Quadro Comunitário 2030, para tornar o projeto do teleférico urbano exequível se este for solução e comparativamente o mais adequado para uma cidade histórica, património mundial como a nossa.

Na sua intervenção, o Professor Álvaro Costa, coordenador do Estudo de Mobilidade Urbana, da Universidade do Porto, deu alguns exemplos de cidades que são exemplares na implementação de soluções de mobilidade disruptivas e/ou inovadoras, como os casos do Porto com o seu metro de superfície, Pontevedra com a aposta na pedonalização da cidade, Bogotá com o sistema de BRT e La Paz com a maior rede de teleférico urbano do mundo. Para Álvaro Costa, Guimarães tem potencial para usar o teleférico como parte da solução de mobilidade, uma vez que o sistema tem várias vantagens em comparação com outros sistemas.

César Dockweiler Suárez apontou quatro dimensões da utilização do teleférico urbano que acarretam vantagens: melhoria da qualidade de vida, respeito pelo ambiente, adaptação à cidade, boa opção para os governos. De entre as qualidades do sistema, destaca-se o alto grau de flexibilidade, o caráter massivo do transporte (5000 passageiros/hora/sentido), o tempo de deslocação, a taxa de acidentes 0, a disponibilidade imediata (as cabines estão em permanente movimento), a energia limpa e renovável, a eficiência energética e a vida útil do sistema (40 anos).

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