OLI: DOS AUTOCLISMOS AO MOTOGP
Sabia que um dos patrocinadores de uma das equipas candidatas ao título em MotoGp é português?
Beatriz Abreu Ferreira / Manuel Ribeiro
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5 de Maio 2022, 17:55
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Se é fã de MotoGp, certamente já ouviu falar na equipa de Enea Bastianini. O que possivelmente não sabe é que por detrás do seu sucesso está uma empresa portuguesa, uma das principais patrocinadoras do grupo italiano.

O EuroRegião esteve à conversa com António Oliveira, membro do concelho administrativo da Oli, para ficar a conhecer esta empresa aveirense.

EuroRegião (ER): Qual é a história da Oli?

António Oliveira (AO): A empresa foi fundada em 1954, pelo meu avô, e na altura era uma empresa de importação de todo o tipo de produtos, uma vez que havia muita escassez de produtos em Portugal, por isso, o que fosse possível importar teria muito procura no mercado nacional. Posteriormente, já nos anos 80, e já com o meu pai na empresa, começámos a produzir componentes em plástico, sobretudo autoclismos. E depois, progressivamente, especializou-se nessa área. Hoje em dia ainda comercializamos sobretudo artigos de casa de banho no mercado nacional, enquanto para exportação as vendas estão concentradas no nosso core business que é a produção de autoclismos e mecanismos para cerâmica.

ER: Está nos vossos planos produzir mais algum tipo de produto?

AO: Onde temos mais know-how é sobretudo nos autoclismos, contudo, e sobretudo depois da fase COVID-19, em que desenvolvemos algumas coisas a pedido das ARS, como viseiras, que podem ser utilizadas em hospitais, estamos a avaliar a certificação desses produtos e eventualmente temos aqui um nicho ligado à área da saúde. Por isso, sim, podemos vir a diversificar, mas lentamente. Foi uma coisa que surgiu com o COVID, não foi algo muito ponderado e estratégico.

ER: Como é que a Oli tem crescido nos últimos anos?

AO: As exportações têm crescido a um ritmo médio de 8% por ano. O ano passado foi bastante mais, por volta dos 15%. Este ano não sabemos ainda como vamos terminar o ano, para já estamos também a registar crescimento, mas há muita incerteza pelos motivos que se conhecem, a crise de matérias-primas, a guerra na Ucrânia. Mas o processo de exportação tem sido sempre de crescimento, mesmo em 2020, em que tivemos alguns meses muito difíceis por causo do COVID, conseguimos que as exportações crescessem. Acho que o percurso tem sido extremamente positivo.

ER: E agora preparam-se para investir numa nova fábrica?

AO: Na verdade é uma nova célula na fábrica de Aveiro. Nós fizemos um investimento de cerca de meio milhão de euros na construção de uma célula automática que opera com apenas uma pessoa, e onde podemos produzir cerca de meio milhão de válvulas por ano. E que inauguramos há cerca de um mês.

ER: Têm fábricas apenas em Aveiro? Para que zonas já se expandiram?

AO: Temos uma fábrica em Aveiro, uma em Itália, uma na Rússia, e uma filial comercial, um armazém, na Alemanha.

ER: Têm sentido o impacto da guerra por terem uma fábrica na Rússia?

AO: Sim, a equipa que está na Rússia tem sentido o impacto. O mercado mudou bastante, e nós aqui em Portugal não temos possibilidade de os apoiar e de vender para a Rússia porque com as sanções isso foi tudo vedado. Nós aqui não sentimos particularmente esse impacto porque a fábrica era autónoma, eles produzem lá e vendem lá.

ER: Como surgiu a ideia de investir em MotoGP?

AO: Isso veio da nossa ligação a Itália, que é um dos nossos principais mercados. Portanto, os nossos sócios italianos já tinham colaborado com algumas equipas de Moto2, Moto3 e MotoGP. Nesse sentido, há cerca de quatro anos desafiaram-nos para começar a apoiar uma equipa de Moto2 e de Moto3, uma equipa privada italiana. Posto isto, a própria equipa decidiu criar uma equipa que pudesse competir em Moto GP e convidaram os principais patrocinadores para se aliarem a esse esforço, e nós aceitámos, achamos interessante, e demos o salto com eles para MotoGP.

ER: Daí então a escolha da Gressini Racing, e não da KTM do Miguel Oliveira.

AO: A KTP é austríaca por isso a única coisa que poderíamos fazer eventualmente era apoiar o piloto. Mas, sim, a ligação à Gressini vem daí.

ER: E quais têm sido os resultados?

AO: Eu diria que os resultados têm sido surpreendentemente bons, a equipa ganhou já dois grandes prémios, o que foi surpreendente, mas muito positivo. E isso deu uma exposição muito grande à marca, estamos a falar de um circuito mundial, transmitido para milhões de pessoas todos os fins de semana, e temos recebido contactos de vários países, alguns onde estamos representados, outros onde poderemos vir a estar. Mas de pessoas que têm interesse pela marca e em importar o nosso produto.

ER: Imagino que Oli venha do nome Oliveira. Como é herdar a liderança da empresa da família? Há um sentimento de responsabilidade acrescida?

AO: Correto. Obviamente há uma responsabilidade, isso é inegável, mas não é só minha, é de todo o concelho de administração, que inclui o meu pai, o meu tio, a minha irmã e o meu primo. Felizmente somos uma equipa alargada e isso ajuda a dividir a responsabilidade. Contudo, a Oli tem hoje 450 pessoas nos quadros diretos, portanto já há uma equipa de gestão e de primeiras linhas com elevado nível de profissionalismo e competência. Essa tem sido a nossa preocupação, garantir que a empresa independentemente daquilo que é a pertença da família consegue ter uma atividade perfeitamente normal através das pessoas que cá estão e que não são da família.

ER: Que planos têm para a sua liderança?

AO: O que temos feito deste que eu entrei na empresa foi criar a filiar comercial na Alemanha, criámos a empresa na Rússia, e alargámos bastante aquilo que era o espectro da exportação. A empresa faturava cerca de 42 milhões de euros em 2015, quando eu cheguei, e hoje em dia fatura cerca de 70 milhões. Esperamos que no final deste ano consigamos chegar aos 80 milhões, o que seria duplicar o valor face aquilo que era quando eu cheguei. Obviamente, não fui eu que fiz duplicar as vendas, mas tive dentro das decisões que levaram a isso e dos investimentos que permitem sustentar este crescimento de forma sustentável.

Agora é um período de alguma incerteza em termos de investimentos avultados. Nós temos em curso um investimento bastante significativo para a criação de um armazém automático, de quase 10 milhões de euros, e estamos focados em ver esse investimento concretizado e em coloca-lo ao serviço dos clientes, para melhorar a nossa qualidade de serviço. Essa é a prioridade. A nível de internacionalização estamos a estudar alguns mercados onde possamos ter uma presença de investimento direto.

Foto: Página pública do Facebook da Oli

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