O EuroRegião esteve à conversa com Hélder Oliveira, um dos investigadores do projeto LuCaS que, com o apoio do Compete 2020, está a agilizar o diagnóstico do cancro do pulmão.
O projeto “LuCaS: Rastreio do cancro do pulmão – uma metodologia não invasiva para o diagnóstico precoce” conta com um apoio de 203 mil euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).
EuroRegião (ER): Que desafios é que os investigadores do INESC TEC sentiram com o projeto LuCaS?
Hélder Oliveira (HO): Quando desenhamos o projeto, não existia qualquer publicação científica para resolver o desafio a que nos propusemos. E apenas, poucos meses antes de ter iniciado o projeto, começaram a ser publicados os primeiros trabalhos na área. Pelo que, tínhamos poucas referências para iniciar a nossa investigação. Um outro desafio importante, foi o facto de não termos à disposição um volume alargado de dados para concretizar de forma adequada os nossos trabalhos.
ER: Na sua perspetiva, de que forma é que o LuCaS veio revolucionar o tratamento do cancro do pulmão?
HO: Tendo em conta outros trabalhos semelhantes na literatura, o LuCaS abordou duas alternativas para a caracterização do cancro de uma forma não invasiva e precoce: sistemas de apoio à decisão através de uma abordagem Radiogenomics que passa pela criação de modelos preditivos relacionando fenótipos de imagens a assinaturas genómicas; mas também, a avaliação das contribuições da biópsia líquida na caracterização do cancro de pulmão. Ambas as abordagens são de grande valor como meio para obter dados moleculares de forma minimamente invasiva e compatível com a rotina clínica.
Este projeto teve três níveis de impacto: aumento da sensibilidade na deteção de lesões pulmonares; melhor resultado do CAD (caracterização tumoral) – possibilidade de estratificação clínica de lesões não elegíveis para biópsia tecidular; maior especificidade da classificação baseada em imagem, com potencial diminuição da necessidade de biópsia tecidular.
ER: Que impacto é que o Compete 2020 teve na iniciativa?
HO: O apoio do COMPETE 2020 para financiamento do LUCAS, tem sido fundamental para o desenvolvimento científico nesta área, permitindo colocar a investigação feita em Portugal na área do cancro ao mais alto nível.
ER: O que falta ser feito na investigação do tratamento oncológico do cancro do pulmão?
HO: Uma parte fundamental para o tratamento do cancro, passa pela criação de metodologias de deteção precoce. O cancro do pulmão não tem ainda um programa de rastreio implementado. Os desenvolvimentos alcançados no projeto LuCaS podem de certa forma ajudar a fazer uma caracterização precoce do cancro do pulmão, que normalmente é feito recorrendo a uma biopsia, através de um método não invasivo e recorrendo a imagiologia médica que faz já parte do processo clínico.
