A associação ambientalista ZERO, através de um comunicado, alertou para a necessidade de liberalizar a produção de energia em telhados e comunidades de energia, “uma vez que a produção de eletricidade descentralizada traria mais-valias para a sociedade que não estão a ser potenciadas”, explicou.
Segundo a entidade, a produção de energia em grandes centrais tem sido alvo de fortes investimentos em Portugal, processo que não se verifica na produção de energia descentralizada através de telhados. De acordo com a ZERO, apesar da produção de energia em grandes centrais ser mais barata, a diferença é anulada quando se verificam os pólos positivos e negativos dos dois formatos, nomeadamente a destruição de habitats no caso do solar centralizado ou uma maior segurança energética no caso solar descentralizado.
Na visão da associação ambientalista, a produção descentralizada de energia apresenta as seguintes vantagens: é mais eficiente (a produção está próxima do consumo, gerando menos perdas de energia na rede); Não requer ocupação de terrenos para a sua implantação (é feita em telhados e coberturas de edifícios já existentes); Cria mais postos de trabalho (dinamizando as empresas locais); tem menores custos de interligação e transmissão de rede; É mais resiliente a desastres naturais; É democrática (capacita os cidadãos para serem agentes ativos na transição energética);
Os painéis sombreiam os edifícios e as casas (permitindo poupar energia no verão); Proporciona um espaço de mercado mais favorável à competição (onde não existem grandes contratos de eventual natureza anti concorrencial); Não obriga a grandes processos burocráticos centralizados para implantação dos sistemas.
No mesmo documento, a ZERO refere que a energia solar fotovoltaica ainda residual na eletricidade consumida em Portugal (3,5%), mas realça que a capacidade de produção desta energia tem vindo a aumentar, uma vez que em 2021, foram instalados cerca de 700 MW, atingindo um total de cerca de 1.770 MW instalados no país, ou seja, mais 40% de capacidade em relação a 2020.
No entanto, a mesma fonte demonstra alguma preocupação no que diz respeito assimetria da energia em território nacional, já que grande parte do crescimento da energia fotovoltaica é registada em centrais e não em fontes descentralizadas. Segundo a ZERO, “nos últimos três anos (2019, 2020 e 2021), a nova capacidade instalada em solar centralizado rondou os 70%, com o solar descentralizado a registar apenas 30%”.
