A proposta apresentada pela delegação liderada pelo mágico Luís de Matos não foi suficiente para convencer o júri internacional a passar Coimbra à fase final do concurso à Capital Europeia da Cultura 2027. De acordo com o relatório divulgado esta semana, a proposta conimbricense estava, no geral, “subdesenvolvida”, deixando o júri com sérias dúvidas quanto à concretização dos projetos propostos no “bid book”, o livro que continha a oferta cultural para a candidatura, entregue em novembro do ano passado.
“O painel considera que a proposta global está subdesenvolvida nesta fase do concurso e não está convencido de que Coimbra 2027 consiga levar o programa ao elevado nível artístico e à dimensão europeia exigida de uma Capital Europeia da Cultura no curto espaço de tempo que resta para a seleção final”, diz o relatório.
Apesar de o júri considerar o conceito da candidatura de Coimbra interessante, “é atento à identidade local e coerente com a necessidade de combater os clichês que estigmatizam a cidade”. Na sessão de perguntas e respostas perante o júri, que teve lugar em março, no CCB, em Lisboa “não ficou claro se a cidade tem uma estratégia cultural de longo prazo (se ia além de 2027) nem como a mesma seria implementada”, diz o mesmo documento.
O relatório refere ainda que depois de estarem identificados alguns indicadores que vão além do desenvolvimento cultural da cidade, como fatores ambientais climáticos e urbanos, cujo “impacto é adequado numa fase de pré-seleção da candidatura”, não ficou claro, nem houve “informação suficientemente convincente sobre a forma como estes impactos se podem materializar”. O júri também quis saber se a “Universidade de Coimbra estava ou não envolvida”, indicando no relatório que esse ponto “também não estava claro”.
Oferta cultural
No que diz respeito à oferta cultural propriamente dita, o júri gostou do programa apresentado, classificando-o como “um elemento sólido na proposta”. A abordagem do programa “é boa com os cinco fluxos que se unem para contar a história da cidade. As três áreas subjacentes ao programa incluem a educação/formação, ecológica e social. É uma boa abordagem estratégica para o desenvolvimento do programa”, diz o relatório.
A candidatura apresentada por Coimbra, que teve um investimento de 2,6 milhões de euros, visava focar em cinco fluxos que interagem e movem a cidade em cinco direções unindo-se num “Fluxo de Mudança”. Este conceito surge numa “necessidade de combater clichês que estigmatizam a cidade: a terceira margem do rio, o espírito do café, livros e pedras, descobertas e janelas para o mundo constituem alguns dos elementos de construção”. A candidatura juntava 19 municípios do concelho de Coimbra. Contudo, o painel considerou “pouco claro o nível dessas interconexões regionais, demonstrando incerteza sobre as garantias financeiras de todos os municípios parceiros”.
Recorde-se que as doze cidades portuguesas candidatas foram Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Guarda, Leiria, Oeiras, Ponta Delgada, Viana do Castelo e Vila Real. Passaram à fase final as cidades de Aveiro, Braga, Évora e Ponta Delgada.
Foto: Baixa de Coimbra. Manuel Ribeiro
