O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves, abriu a primeira sessão do ciclo de conferências EuroRegião Talks, para discutir o impacto dos fundos europeus nas diferentes regiões de Portugal.
O autarca ribatejano destacou a importância dos fundos comunitários para a região, com um dos piores níveis de desenvolvimento económico do país. “Não estamos sequer a convergir,” lamenta.
“Portugal tem uma dependência de 90% de fundos comunitários, somos o país da UE com maior dependência. Isso, na minha opinião, é preocupante, mas também é percetível que sem fundos comunitários se calhar a nossa economia estaria muito pior,” nota.
Ricardo Gonçalves lembra que “há uns anos” o Ribatejo estava “em fading out”, e ia deixar de receber fundos comunitários, razão pela qual foi necessário separar este território: “metade de nós para o Alentejo e a outra metade foi para o Centro”, explica.
“Isto foi muito importante, porque parecendo que não, há 19 anos atrás, se não o tivéssemos feito, muitos milhões de euros não poderiam ter sido investidos. Hoje, estamos novamente com alterações, é espectável que no próximo acordo de parceria a nossa região já esteja no Ribatejo e Oeste, na NUT II, que é diferente do que estar dependente do Alentejo, vamos ter um investimento territorial integrado, e isso também me deixa alguma expetativa,” afirma.
“Eu que sou regionalista e espero sinceramente que possamos avançar para a regionalização para termos essa capacidade, do ponto de vista do que é a coesão e equidade, do investimento ser homogéneo no nosso país”.
Por último, o presidente da Câmara de Santarém referiu a importância de reforçar os fundos para o Interior. “Temos 30% [do investimento] para o interior e 70% para o litoral,” diz.
De acordo com o mesmo, o problema muitas vezes não está nos acordos dos programas operacionais, mas sim nas alterações que estes vão sofrendo durante o período de concretização. “Os fundos vêm por gavetas e nós identificamos inicialmente aquilo que vai ser feito, mas depois, a meio do quadro, há muitas alterações. Na maioria das vezes, são essas reprogramações que vêm desvirtuar aquilo que inicialmente foi aprovado na UE. No anterior quadro foi muito falado nos concelhos de baixa densidade e do Interior, mas sabem o que aconteceu? Quem esteve mais atento verificou que, em 2017, houve uma reprogramação e cerca de mil milhões de euros foram retirados para o Metro de Lisboa, para o Metro do Porto e para a Linha de Cascais, e isto é prejudicial para regiões como a nossa onde não há investimento,” sublinhou.
