Com o início da invasão da Ucrânia por parte da Rússia e consequentes sanções ao país, os produtores de vinho nacionais revelaram estar preocupados com o impacto do evento nas exportações.
A 23 de fevereiro, o jornal O MINHO deu nota de que os negócios de vinho verde de Ponta da Barca, região que exporta 1,5 milhões para a Rússia, poderiam desabar devido às sanções direcionadas ao país do leste da Europa. Segundo o órgão de comunicação social, Adega de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez estavam apreensivos perante a situação, uma vez que, de acordo com José Oliveira, diretor-geral da entidade, a empresa e a região estão “dependentes das medidas que possam vir a ser adotadas, principalmente de retaliação por parte da Rússia”, alertou o responsável.
Já Manuel Pinheiro, Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, afirma que, de forma geral, não há motivo para alarme. Segundo a mesma fonte, apesar de haver uma preocupação generalizada com “o aumento dos custos dos combustíveis e vários produtos” e o “efeito inflacionista considerável em toda a economia e também no vinho”, a perda dos mercados russo e ucraniano não preocupam a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, uma vez que estes representam 2% e 1% das exportações do setor, explicou em declarações ao EuroRegião.
“O vinho verde exporta-se para 104 mercados. Em 2021 (fonte Intrastat) exportamos 78,7 milhões de euros, sendo que a Rússia representa 2% e a Ucrânia menos de 1%. São, portanto, mercados com pouca expressão para o vinho verde”, esclareceu.
De acordo com o presidente da entidade, que cita um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), o principal mercado do vinho verde português, são os Estados Unidos da América que em 2020 e 2021 gastaram mais de 16 milhões de euros em importações de vinho verde.
A mesma fonte concluiu ainda que, com 1,5 milhões e 751 mil euros, em 2021, a Rússia e a Ucrânia não fazem parte dos principais importadores de vinho verde português.
