A Câmara Municipal de Mangualde está a investir na implementação de Comunidades de Energias Renováveis (CER) na Região, tendo em vista o desenvolvimento do autoconsumo e a partilha de energia entre os consumidores, promovendo o acesso a energias verdes e mais económicas.
Para cumprir o objetivo, a autarquia vai criar três CER: a Industrial, Urbana e Rural. A Industrial será desenvolvida para garantir a rápida implementação do autoconsumo partilhado pelas empresas das áreas empresariais de Mangualde.
Em entrevista ao EuroRegião, Marco Almeida, Presidente da Câmara de Mangualde, explicou a iniciativa e a importância que esta tem no desenvolvimento do concelho e no acesso a Fundos Comunitários.
O Município de Mangualde anunciou que vai criar Comunidades de Energias Renováveis (CER). Como surgiu esta iniciativa e qual é o seu objetivo?
Marco Almeida (MA): Nós estivemos atentos àqueles que são os principais desafios do futuro e queremos estar preparados para, naquilo que tem a ver com os Fundos Comunitários, conseguirmos dar uma resposta a uma eventual candidatura. Este é um tema que está na ordem do dia, não só pelo processo de transição energética, mas também pelos conflitos geopolíticos que agora passamos e que obrigam a uma aceleração desta matéria. Desta forma, entendemos que seria importante criar Comunidades de Energias Renováveis para assim darmos uma resposta mais competitiva nos setores da Indústria, na malha urbana e também a malha rural do concelho e, por isso, entendemos que o desenvolvimento da sustentabilidade energética poderá ser visto pelas nossas famílias e empresas como uma oportunidade, o que vai permitir baixar os custos energéticos e, ao mesmo tempo, avançarmos na promoção do acesso a fontes de energia verdes e limpas.
A autarquia revelou ainda que vai criar três tipos de CER: Urbana, Rural e Industrial. Vão avançar simultaneamente? Que diferenças existem entre elas?
MA: O principal objetivo neste momento é avançarmos já, de imediato, para a criação de uma Comunidade para o setor industrial. O concelho de Mangualde é um concelho forte na componente industrial e entendemos que, se os nossos parceiros e se a Indústria estiver em sintonia com o nosso projeto que pretende criar melhores condições energéticas, damos um passo em direção ao desenvolvimento da competitividade. Posteriormente, esta iniciativa deve ser alargada à malha urbana e rural de forma a abranger as famílias para que estas possam usufruir dos benefícios energéticos associados ao projeto que, simultaneamente, vai desenvolver as energias verdes e limpas. Para já, a Indústria é a prioridade, mas as famílias de Mangualde não vão ser esquecidas.
Que impacto é que a medida terá na Região? Que desafios traz?
MA: Hoje em dia, olhar para os desafios do futuro é olhar para a transição energética e digital. No que diz respeito a estes campos, Mangualde quer estar na linha da frente. Somos um concelho forte na componente empresarial, queremos continuar a ser, mas queremos mais. Felizmente temos grandes empresas que estão ao nosso lado para apoiar o projeto e torná-lo numa referência na região e nos territórios de baixa densidade que, agora, se tornam em territórios de oportunidade. Mangualde quer estar preparado para, assim que os Fundos Comunitários para a transição energética estejam disponíveis, dar uma resposta ao setor empresarial e às famílias do concelho. O caminho que queremos e devemos fazer passa pela digitalização, transição energética, novas oportunidades, tecnologia.
O que falta fazer para transformar Mangualde num concelho mais verde?
MA: Os desafios são sempre muitos. Mangualde está inserido em três regiões demarcadas: a região do Queijo da Serra da Estrela, na região do Vinho do Dão e na região da Maçã Bravo de Esmolfe. Este é um território forte no setor agrícola e em tudo o que é ligado à Natureza. Temos que fazer um caminho ligado à Natureza, às energias verdes, à água, e que coordenado com a transição energética, vai permitir valorizar o que o concelho tem e o seu território. Esta é uma oportunidade que não podemos perder, porque há muito a fazer para sermos um melhor município no futuro.
