LIGAÇÃO ENTRONCAMENTO-BADAJOZ É CASO DE ESTUDO NA EUROPA
A Comissão Europeia considera que a dependência do Governo central está a afetar a qualidade da mobilidade transfronteiriça.
Redação
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3 de Março 2022, 17:30
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O estudo “Fornecer transportes públicos em regiões transfronteiriças – Mapeamento dos serviços existentes e obstáculos legais”, da Comissão Europeia (CE), que reúne os resultados de 31 relatórios, analisou o caso específico da ligação Entroncamento – Badajoz e apontou como razão para as falhas a dependência do Governo.

Segundo o relatório europeu, as principais falhas da ligação entre os territórios de baixa densidade populacional das regiões do Alentejo e Extremadura são a pouca oferta e a pouca procura. Na verdade, existe apenas um comboio por dia em cada sentido e poucas opções de transportes públicos para chegar até às estações ferroviárias, nomeadamente em Portalegre e Elvas.

Existe apenas um comboio por dia em cada sentido e poucas opções de transportes públicos.

Por esse motivo, os interessados em completar a travessia procuram “transporte alternativo mais flexível” como autocarros transfronteiriços e de longa distância, “os serviços de táxi e o carpooling [boleias partilhadas]”, pode ler-se nas conclusões da CE citadas pelo Público.

O relatório conclui que tanto a Extremadura como o Alentejo “dependem muito do seu governo central para tomar decisões sobre a mobilidade transfronteiriça”, uma vez que “dadas as deficiências estruturais e a baixa densidade populacional na região fronteiriça, é difícil para a população empenhar e unir recursos para um melhor transporte transfronteiriço”, existindo, por isso, uma “ausência de iniciativas locais e regionais para formular a procura de mais e melhores serviços ferroviários transfronteiriços”.

Tanto a Extremadura como o Alentejo “dependem muito do seu governo central para tomar decisões sobre a mobilidade transfronteiriça”.

Uma das razões apontadas para os problemas de qualidade no serviço entre o Alentejo e a Extremadura foi a “decisão política de encerramento do serviço em 2012 [durante o governo Passos Coelho e no âmbito da intervenção da troika]” que considerou que “o transporte automóvel é uma solução mais eficiente para a mobilidade regional”. “Este parecer pode ainda influenciar a atual limitação a apenas um serviço por dia entre Entroncamento e Badajoz, mesmo que a linha tenha sido reativada em 2017”, afirmam.

Como possível solução, a CE destaca “um maior envolvimento da sociedade civil” para “reforçar a consciência política e o empenhamento no sentido de uma melhor mobilidade transfronteiriça” e “reunir massa crítica suficiente para solicitar às empresas ferroviárias estatais um melhor serviço transfronteiriço ou propor soluções alternativas”.

Foto: Nuno Morão 

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