TROFENSES CANSARAM-SE DE ESPERAR PELO METRO
Um movimento de cidadãos exige o cumprimento do memorando de entendimento assinado com o Governo sobre a extensão do metro até à Trofa.
Maria João Silva
Texto
24 de Fevereiro 2022, 18:00
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O movimento “Metro até à Trofa já” está a exigir que o Governo central cumpra o memorando de entendimento sobre o desenvolvimento da rede do Metro do Porto, processo que é esperado pela população há 20 anos. 

Numa cerimónia junto à antiga estação de comboio, desativada pela promessa de chegada do metro, o movimento leu uma carta aberta, à qual a Lusa teve acesso e onde foram relembrados os entraves e atrasos que o processo sofreu. O documento é dirigido ao primeiro-ministro, António Costa, e aos presidentes da Área Metropolitano do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, e do Conselho de Administração da Metro do Porto, Tiago Braga. 

José Fernando Martins, porta-voz do movimento e também presidente da Junta de Freguesia de Muro, afirma que “para além de perder mobilidade, isso teve implicação noutras situações (…) Houve uma expectativa de investimento no ramo imobiliário, houve famílias que chegaram a comprar casa, mas que depois desistiram, o que fez com que hoje exista uma série de edifícios devolutos que poderiam ser recuperados, mas as pessoas não vêm porque não têm transporte público”, esclareceu. 

O “Metro até à Trofa já” exige o cumprimento do memorando de entendimento subscrito pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e pela Junta Metropolitana do Porto para que fique assegurada a “ligação ao Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Norte, que recebe milhares de jovens e adultos, candidatos a emprego qualificado, promovendo a inserção no mercado de trabalho”, bem como “a ligação em complementaridade com a rede concelhia de transportes intermodais do concelho da Trofa, desenvolvidos em articulação com a MOBIAVE e a Área Metropolitana do Porto, às várias zonas industriais do concelho da Trofa e Maia”, pode ler-se no documento. 

Já Sérgio Humberto, presidente da Câmara da Trofa, culpa o Presidente da República e os governos dos últimos 20 anos pelo atraso na chegada do metro à região, afirmando que “durante 20 anos a diplomacia não funcionou”. 

Para o autarca, quem fica a perder com inexistência da ligação à Trofa é a “região Norte do país”, argumentando tratar-se do “maior corredor nacional de exportação” que abrange o “Porto, Maia, Trofa, Vila Nova de Famalicão e Braga e uma área fundamental de entrada na zona Norte da Área Metropolitana do Porto, pelo que a região entre Douro e Minho fica a perder”, defendeu.  

“Existindo dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência e ainda do PT 2020 e PT 2030 não se pode dizer que [a falta de] dinheiro seja a desculpa. As desculpas agora são os Estudos de Viabilidade Económica e que são dadas pela Metro do Porto e pelo ministério. Isto é falacioso”, criticou o autarca, acrescentando que  2030 é o ano em que se estima a  chegada do meio de transporte à Trofa. 

Mas o líder do município defende que “2030 é tarde, a população desta região não pode esperar mais, nem quatro, nem cinco nem oito anos. Não baixaremos os braços até o metro chegar ao centro da Trofa”, concluiu. 

Forografia: SimKivi

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