O presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira (PSD), criticou o “fundamentalismo ambiental muito grande” que impede a resolução do problema da barra e da restinga do concelho.
O autarca considera que a “falta de peso político” no concelho e o “permanente empurrar com a barriga” dificultam a resolução de um problema que “põe em causa a segurança da navegação e da própria cidade”, explicou em declarações à Lusa.
“Houve sempre um fundamentalismo muito grande por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e do Instituto para a Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), levando estas entidades a não aceitar soluções mais resilientes para aquela zona”, apontou, acrescentando que se o problema se verificasse numa das grandes cidades portuguesas, o mesmo já teria sido solucionado.
“O que se passa é que não temos peso político. Somos pequenos e ninguém quer saber. O problema existe, é grave, está em causa a segurança da navegação e da população. Um dia, se houver uma tempestade, tenho dúvidas que o mar não galgue e não invada a marginal, com consequências gravíssimas”, alertou.
A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em colaboração com a Universidade do Minho, está a desenvolver um estudo e o programa de intervenção, que serão apresentados hoje, para a proteção da restinga de Ofir e da barra do Cávado.
Segundo Benjamim Pereira, a solução, que não deverá ultrapassar os três milhões de euros, passa pelo “estreitamento ligeiro” do canal de escoamento, para acelerar a velocidade com que sedimentos são arrastados para o mar e estabilizar a margem poente.
