Por todo o mundo, os países andam à procura da melhor estratégia para controlar a pandemia de COVID-19, enquanto tentam regressar às atividades habituais, para o bem da economia. Em Lisboa, um grupo de empresários do setor da animação noturna, um dos mais afetados pelas restrições, vai apresentar à autarquia uma proposta para a criação de uma “zona livre de COVID” que, dizem, pode ser uma solução para outras zonas do país e da Europa.
Segundo a ideia da Associação Portuguesa de Bares e Discotecas e Animadores, “as principais artérias do Bairro Alto ficavam encerradas, havia um centro de testagem massiva no miradouro de São Pedro de Alcântara, outro no Largo de Camões e, a meio, ao pé da igreja de São Roque, haveria um outro”, sendo que estes “centros de testagem massiva não seriam iguais aqueles que estão lá agora, que para fazerem teste a cinco pessoas demoram meia hora. Era uma coisa com muitos mais profissionais, a começar, por exemplo, às 15 horas, para testar também os colaboradores dos espaços, e toda a gente ficava com uma pulseira para acesso ao Bairro Alto,” explicou Ricardo Tavares, presidente da associação, ao EuroRegião.
Dentro do Bairro Alto todas as restrições caiam.
Assim, a entrada só seria autorizada a quem apresentasse a pulseira que lhe distribuída após ter testado negativo, e dentro do Bairro Alto “todas as restrições caiam”. “Estamos a falar de uma zona sem COVID. Nós somos todos testados à entrada, por isso, a partir do momento em que somos testados, andamos de sítio em sítio livremente,” esclareceu o responsável.
Esta ideia surgiu devido às particularidades dos Bairro Alto, uma zona com “cerca de 300 restaurantes e bares” que “não têm capacidade de ter cada um o seu centro de testagem”, como acontece com as discotecas, assim, adotando uma abordagem “mais abrangente, ganhávamos todos, inclusivamente os consumidores,” considera, acrescentado que a solução poderia ser implementada por “toda a Europa, na baixa do Porto, na zona da rua da Oura, e em todas as zonas do país com um mar de bares e restaurantes”.
Além de poder ser um método para o regresso à normalidade da vida noturna, na opinião de Ricardo Tavares, também pode ser uma solução para problemas antigos. “Retirávamos os carteiristas, que aparecem de vez em quando, os falsos traficantes de droga e toda aquela gente que gosta de arranjar confusão, porque ao passarem ali [no Bairro Alto] estavam a ser identificados. Iriam perceber que não fazia sentido estarem a ir para lá porque, ao serem identificados, era mais fácil, caso houvesse alguma confusão, eles serem responsabilizados,” argumenta o empresário.
A Associação Portuguesa de Bares e Discotecas e Animadores já tinha abordado o antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Fernando Medida, mas o encontro para analisar a proposta acabou por ser adiado devido ao período de eleições. No entanto, ainda durante a campanha eleitoral, a ideia foi a presentada a Carlos Moedas que se “mostrou muito interessado”.
“Quando apresentámos isto ao engenheiro Carlos Moedas ele achou fantástico e disse que tinha todo o interesse, pediu inclusivamente para lhe enviarmos a proposta. Agora esperamos que dentro dos próximos dias o orçamento da CML seja aprovado e ele tenha agenda para reunirmos,” concluiu Ricardo Tavares.
Foto: Ricardo Liberato
